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JUDICIÁRIO
Congresso em Foco
18/5/2026 20:45
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou ao STF um pedido para incluir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que resultou na ação penal em curso contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Eduardo responde por coação processual contra ministros do Supremo.
O parlamentar solicita a investigação dos vínculos entre a articulação de Eduardo Bolsonaro em favor de sanções americanas contra autoridades brasileiras e os supostos repasses enviados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse, gravado nos Estados Unidos e centrado na campanha de Jair Bolsonaro em 2018.
"A linha investigativa se refere a apurar se os valores supostamente destinados ao filme Dark Horse (...) serviram, total ou parcialmente, como lastro financeiro, mecanismo de cobertura, instrumento de ocultação ou via indireta de financiamento da campanha internacional conduzida por Eduardo Bolsonaro no exterior contra o Estado brasileiro", sintetiza Lindbergh.
O deputado também afirma ver indícios de que o filme seria, na prática, uma peça de propaganda eleitoral. "A obra teria lançamento previsto em período eleitoral sensível [11/09, dia da facada em 2018], com Jair Bolsonaro como personagem messiânico", apontou.
Vazamentos
A petição cita mensagens, documentos e áudios vazados pelo portal The Intercept na última semana. Segundo o veículo, Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para custear as gravações e pagar os atores de Dark Horse, tendo recebido cerca de R$ 61 milhões em seis prestações.
Ao mesmo tempo, os documentos indicam que Eduardo teria ficado encarregado, junto à empresa GoUp Entertainment e ao deputado Mario Frias (PL-SP), da gestão financeira da produção. Ele também teria orientado Vorcaro sobre como enviar o dinheiro aos Estados Unidos sem atrair a atenção dos serviços alfandegários.
Após os vazamentos, Flávio Bolsonaro afirmou que os pedidos a Vorcaro foram regulares, de natureza privada e anteriores ao surgimento de suspeitas contra o banqueiro. Eduardo Bolsonaro e Mario Frias negaram contato com o dono do Banco Master, bem como o recebimento de doações de seus fundos de investimento para a elaboração do filme.
Inclusão de Bolsonaro
Para Lindbergh, mesmo que Jair Bolsonaro não seja citado expressamente nos vazamentos, o ex-presidente deve ser incluído no inquérito por ser o "principal beneficiário" tanto de eventuais efeitos políticos do filme quanto da pressão internacional atribuída a Eduardo Bolsonaro por meio das sanções americanas a ministros do Supremo.
"Jair Bolsonaro era o beneficiário simbólico, político e eleitoral da obra. Torna-se imprescindível apurar para onde foram os recursos, quem os recebeu, quem os intermediou, quem os executou, quem os converteu e se houve desvio de finalidade", declarou.
Julgamento de Eduardo
Eduardo Bolsonaro responde no STF por tentativa de interferência na ação penal do golpe, julgamento que resultou, em setembro de 2025, na condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
O ex-deputado é acusado de influenciar parlamentares e autoridades do governo dos Estados Unidos para que impusessem a suspensão de vistos de ministros do STF e membros do Executivo, além de defender a inclusão do ministro Alexandre de Moraes entre os alvos da Lei Magnitsky, que prevê sanções e restrições financeiras contra os atingidos.
O processo se aproxima da conclusão. No último dia 12, foi aberto o prazo para a defesa apresentar as alegações finais. Eduardo não possui advogado constituído, e a Defensoria Pública da União (DPU) é responsável por sua representação judicial.
Processo: Inq. 4995-DF
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