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INVESTIGAÇÃO
Congresso em Foco
15/5/2026 16:46
Nesta sexta-feira (15), o portal Intercept Brasil publicou uma nova reportagem a respeito do suposto vínculo financeiro entre o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a família Bolsonaro na produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha presidencial de 2018.
Segundo a matéria, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria participado como um dos principais gestores do projeto, inclusive exercendo controle financeiro.
A publicação veio dois dias depois do veículo vazar trechos de conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Entre elas, havia um áudio do congressista pedindo mais dinheiro para o pagamento dos atores.
Poderes de Eduardo
Segundo o texto, um contrato de produção datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2024 define que ele, o deputado Mario Frias (PL-SP) e a produtora GoUp Entertainment seriam responsáveis por atividades ligadas ao desenvolvimento do filme.
Entre essas funções estavam a elaboração de estratégias de financiamento, preparação de documentos para investidores, busca de recursos, captação de incentivos fiscais, patrocínios e ações de colocação de produtos. O contrato também previa participação nas decisões sobre a gestão do orçamento do projeto.
Outro documento citado, uma minuta de aditivo contratual de fevereiro de 2024, classificava Eduardo como financiador do filme e autorizava o uso de recursos financeiros investidos por ele no projeto. Não há confirmação de que esse aditivo tenha sido formalmente assinado.
Conversas com Vorcaro
Em uma conversa exposta pelo portal e encaminhada ao banqueiro Daniel Vorcaro pelo empresário Thiago Miranda, Eduardo discute a necessidade de manter os recursos combinados já nos Estados Unidos para evitar dificuldades em remessas internacionais feitas a partir do Brasil.
O ex-deputado afirmava que transferências feitas gradualmente poderiam levar cerca de seis meses para serem concluídas, e defendia enviar "o máximo possível" pelo sistema então utilizado.
De acordo com o Intercept, Miranda teria atuado como intermediário entre Vorcaro, Mario Frias e a família Bolsonaro nas tratativas financeiras do projeto. R$ 60 milhões teriam sido repassados pelo banqueiro em seis parcelas ao longo de 2025.
Dinâmica de pagamentos
O material indica que parte dos recursos negociados com o dono do Master para o filme foi transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Documentos societários apontam que o escritório do advogado Paulo Calixto, responsável pelo processo imigratório de Eduardo nos Estados Unidos, aparece como agente legal do fundo.
O texto também relembra apurações anteriores sobre a produtora GoUp Entertainment, empresa encarregada por coordenar as gravações, ligada à empresária Karina Ferreira da Gama.
Karina é associada ao Instituto Conhecer Brasil, organização investigada por supostas irregularidades no recebimento de R$ 2 milhões em emendas parlamentares. Mario Frias é um dos deputados que enviaram recursos ao instituto, e é procurado pelo STF para prestar esclarecimentos a respeito das emendas.
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