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FILME DE BOLSONARO

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de fundo de Vorcaro

PF apura se recursos destinados a filme sobre Jair Bolsonaro foram usados para bancar despesas do ex-deputado nos Estados Unidos. Veja a íntegra da nota do ex-deputado.

Congresso em Foco

15/5/2026 | Atualizado às 8:50

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A Polícia Federal investiga se recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e destinados à produção do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, foram usados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos. O ex-deputado nega ter recebido dinheiro do fundo ligado ao projeto e afirma que sua situação migratória no país impediria esse tipo de repasse.

Eduardo vive fora do Brasil desde fevereiro do ano passado. Em publicação nas redes sociais, ele classificou a suspeita como "tosca" e disse que explicou às autoridades americanas a origem de seus recursos. "A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria", declarou.

Eduardo Bolsonaro teve o mandato cassado em dezembro por excesso de faltas.

Eduardo Bolsonaro teve o mandato cassado em dezembro por excesso de faltas.Youtube/TV Câmara

PF investiga destino do dinheiro

A apuração busca esclarecer se os valores repassados por Vorcaro foram efetivamente aplicados no filme ou se tiveram outra finalidade. Uma das hipóteses analisadas é a de que parte do dinheiro tenha bancado a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

Os investigadores também apuram o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas negociações. Em entrevista à GloboNews, Flávio confirmou que recursos pagos por Vorcaro foram enviados a um fundo administrado nos Estados Unidos pelo advogado de Eduardo. Segundo ele, o aporte chegou a R$ 61 milhões.

Ex-deputado diz que só cedeu imagem

Eduardo afirmou que não exerceu função administrativa no fundo e que sua participação no projeto se limitou à cessão de direitos de imagem.

"Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem", escreveu.

Ele também disse ter apresentado seu advogado ao deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do longa, porque o escritório teria experiência em gestão patrimonial e fundos de investimento.

Produtora nega dinheiro de Vorcaro

Mário Frias e a produtora GOUP Entertainment negam que o filme tenha recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. A versão, no entanto, é confrontada por dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo os quais a empresa Entre Investimentos teria intermediado repasses ligados ao banqueiro.

De acordo com informações sob análise, a Entre teria recebido R$ 159 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal e associados a Vorcaro. Também está no radar a transferência de US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP, sediado no Texas.

Filme tem produção americana

Eduardo argumenta que os investimentos foram feitos nos Estados Unidos porque o filme é uma produção americana, com elenco e estrutura no exterior. Ele também disse que investidores teriam evitado aportar recursos no Brasil por receio de perseguição política.

O ex-deputado classificou a investigação como tentativa de atingir sua reputação.

"Tudo não passa de uma tentativa tosca de assassinato de reputação, que tenta atrelar ilicitude em patrocínio para um filme", afirmou.

A Polícia Federal tenta identificar a destinação final dos recursos e verificar se houve desvio de finalidade no uso do dinheiro vinculado ao projeto audiovisual.

Confira a íntegra da nota de Eduardo Bolsonaro:

"1- A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria. No meu processo migratório expliquei as autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem.

2- Falam do advogado que cuidou de todos os detalhes como se ele fosse um mero escritório de migração, não é. O advogado tem mais de 40 anos de experiência, mestrado e doutorado. Seu escritório atua em gestão de patrimônio e fundo de investimento há mais de uma década. A parte de migração é apenas um departamento deles, devido a necessidade de clientes de alto nível migrar o capital e residência para o local de seus investimentos.

3- Nós não somos donos do filme, mas sim os mais de uma dezena de investidores. O escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos. Apresentei ele ao Mário, que estava procurando investidores para o filme, por saber da sua competência. Gostariam que apresentassem advogados petistas e que não conheço?

4- O filme não é um produto inexistente ou um serviço fake de advocacia, é um produto real com grandes estrelas.

5- Todos os investimentos foram feitos nos EUA porque a produção foi americana, com atores americanos. Além do mais, devido ao estado de exceção, ninguém se arriscaria investir num filme do Bolsonaro no Brasil, pois seria devidamente perseguido pelo regime e atrelado como financiador de golpe, como faziam. Investimento nos EUA garantem segurança jurídica em uma jurisdição séria.

6- que tipo de vantagem nossa familia poderia dar na época além de perseguição da tirania? Meu pai preso, eu exilado e meu irmão sequer sonhava em ser candidato? Vocês tentam sugerir que havia interesse outro, qual interesse poderia existir em uma época em que todos nos consideravam liquidados?

7 - Tudo não passa de uma tentativa tosca de assassinato de reputação, que tenta atrelar ilicitude em patrocínio para um filme."

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