O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou ritmo de música e batucada na comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a redução da jornada de trabalho. Durante as discussões que antecedem a votação da proposta, o deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) improvisou uma canção em defesa dos trabalhadores e foi acompanhado por parlamentares que marcaram o compasso batendo nas mesas.
Em tom de palavra de ordem, Isidório cantou versos como "trabalhadores vão ganhar a batalha", "oligarquia vai perder a batalha" e "com Jesus, trabalhadores ganharão a batalha". A cantoria foi acompanhada por batucadas de deputados presentes à reunião.
O deputado também chamou a atenção pela vestimenta. Trajando colete e capacete de operário, levava junto ao corpo um cartaz com a inscrição: "Trabalhadores têm família e não são robôs. Escala 5x2 já. Pastor Isidório".
Antes de cantar, Isidório afirmou que trabalhadores e trabalhadoras são "a alavanca do progresso nacional". Em tom religioso, citou a Bíblia e disse que patrões, banqueiros, donos de indústria, comércio e fazendeiros precisam ter "consciência, sensibilidade social e amor ao próximo".
Nem robô nem escravo
O deputado sustentou que, sem os trabalhadores, "as indústrias param", "as máquinas enferrujam" e "a economia padece". Também defendeu que a redução da jornada é uma questão de saúde, família e dignidade. "Trabalhador não é robô, trabalhador não é escravo", declarou.
No trecho mais duro da fala, Isidório criticou "patrões injustos", "empresários malvados", "banqueiros" e "oligarquias perversas". Segundo ele, trabalhadores não podem ser tratados como peças descartáveis de uma engrenagem econômica.
A música retomou esse tom de confronto. Entre os versos, o parlamentar repetiu que "os banqueiros vão perder a batalha" e que "patrões injustos vão perder a batalha". Também parabenizou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o relator Leo Prates (Republicanos-BA) e outros parlamentares pela condução do debate.
Isidório aproveitou ainda o discurso para defender a ampliação de direitos para trabalhadoras terceirizadas, especialmente no caso da licença-maternidade. "Um país de inclusão social, de justiça social, não pode ter duas mulheres e dois tipos de criança", afirmou.