Se há um tema capaz de provocar debates tão acalorados quanto os travados no Congresso Nacional, esse tema é o futebol. Aproveitando o embalo do início da Copa do Mundo, o Congresso em Foco colocou parlamentares e magistrados diante de duas perguntas simples, mas reveladoras. A primeira delas buscava medir o humor nacional: o que dá mais esperança ao brasileiro hoje, a Copa ou as eleições?
As respostas mostraram que, mesmo em Brasília, onde a política ocupa o centro do palco, o futebol ainda tem cadeira cativa. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), apostou nas próximas eleições. Já o deputado Domingos Neto (PSD-CE) brincou que, até o fim da Copa, ninguém vai pensar em outra coisa além do futebol.
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso discordou da ideia de que a competição seria rapidamente esquecida. Para ele, a Copa representa um raro momento de sintonia coletiva, enquanto as eleições refletem a diversidade de opiniões da sociedade brasileira.
Entre os parlamentares, houve quem tentasse equilibrar os dois lados. A deputada Dani Cunha (PL-RJ) afirmou torcer para que as eleições sejam a principal fonte de esperança, embora reconheça o apelo popular do futebol. O deputado Aliel Machado (PV-PR) resumiu a posição de muitos brasileiros: "os dois".
A segunda pergunta foi ainda mais desafiadora. Em um país marcado pela polarização política, a Seleção Brasileira ainda consegue unir direita e esquerda? A maioria dos entrevistados respondeu que sim.
Para o presidente do PSB, João Campos, o esporte tem o poder de aproximar as pessoas e criar espaços de convergência em meio às divergências. A deputada Dani Cunha também defendeu que a Seleção deve ser um elemento de união nacional e que momentos como a Copa ajudam a deixar diferenças de lado.
Aliel Machado foi direto ao ponto: o Brasil pertence a todos os brasileiros. Já o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) observou que a camisa da Seleção continua servindo como um símbolo compartilhado entre campos políticos opostos.
Nem todos, porém, demonstraram o mesmo otimismo. O ministro do Superior Tribunal de Justiça Luis Felipe Salomão avaliou que o grau de polarização atual dificulta até mesmo esse tipo de consenso nacional.
Ainda assim, a percepção predominante entre os entrevistados é que o futebol continua exercendo um papel singular na vida pública brasileira. Em um ambiente onde quase tudo parece gerar divisão, a torcida pela Seleção segue sendo uma das poucas pautas capazes de reunir pessoas em torno de um mesmo objetivo.
Pelo menos até a próxima discussão sobre a escalação.