O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à França nesta segunda-feira (15) para participar da Cúpula do G7, encontro que reúne as principais economias industrializadas do mundo.
Convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron, o brasileiro desembarca em Évian-les-Bains em meio à expectativa de uma possível reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com uma agenda voltada à defesa da reforma da governança global, do desenvolvimento sustentável e da regulamentação da inteligência artificial.
Antes da viagem, Lula destacou a participação brasileira em publicação nas redes sociais.
"A convite do presidente Emmanuel Macron, parto nesta tarde para a França. Lá, pela décima vez, representarei o Brasil na Cúpula do G7."
Além da programação oficial do G7, Lula terá encontros bilaterais durante sua passagem pela França. Um dos compromissos já realizados é a reunião com a presidente da Suíça, Karin Keller-Sutter.
O governo brasileiro pretende aproveitar a presença de diversos chefes de Estado no encontro para discutir temas da agenda internacional e fortalecer relações diplomáticas e comerciais com parceiros estratégicos.
Governança global e protagonismo do Sul Global
Uma das principais pautas da participação brasileira será a defesa da reforma das instituições multilaterais.
Lula deve voltar a cobrar mudanças em organismos como a ONU e a Organização Mundial do Comércio, argumentando que a estrutura criada no pós-guerra já não corresponde à atual distribuição de poder econômico e político no mundo.
O governo brasileiro sustenta que países emergentes precisam ter maior participação nos espaços de decisão global, especialmente em temas relacionados à segurança internacional, financiamento do desenvolvimento e combate às desigualdades.
A expectativa é que o presidente utilize o encontro para reforçar a agenda defendida pelo Brasil durante a presidência do G20 e na preparação para a COP30, que será realizada em Belém.
Apesar de participar dos debates, o Brasil não integra o G7 e, por isso, não participa das negociações dos documentos finais da cúpula. Os países convidados acompanham as discussões, mas não têm poder de decisão sobre as declarações conjuntas produzidas pelos membros do grupo.
Inteligência artificial e desenvolvimento sustentável
Outro tema prioritário para a delegação brasileira será a governança da inteligência artificial. O avanço acelerado das novas tecnologias transformou o assunto em uma das principais preocupações das grandes economias, especialmente diante dos impactos sobre o mercado de trabalho, a proteção de dados e a concentração de poder tecnológico.
O Brasil deve defender a construção de regras globais para o setor que conciliem inovação, desenvolvimento econômico e proteção de direitos.
A agenda também inclui discussões sobre transição energética, financiamento climático e desenvolvimento sustentável. O governo pretende destacar o potencial brasileiro na produção de energia limpa e de minerais estratégicos para a nova economia verde.
Entre as pautas levadas pelo Brasil está ainda a valorização dos países detentores de minerais críticos e terras-raras, considerados essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos e tecnologias de ponta.
O governo defende que essas nações tenham maior participação nos ganhos econômicos gerados pela transição energética global.
Tarifas dos Estados Unidos entram no radar
Além das discussões multilaterais, a viagem é acompanhada pela expectativa de um encontro bilateral entre Lula e Donald Trump. Segundo integrantes do governo, a presença dos dois líderes no mesmo evento abre espaço para uma conversa sobre temas da relação bilateral, especialmente as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O assunto ganhou peso após a proposta do governo americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre mercadorias importadas do Brasil. A medida preocupa setores exportadores e passou a mobilizar o governo brasileiro, que busca preservar a competitividade dos produtos nacionais no mercado norte-americano.
A avaliação do Planalto é que um diálogo direto entre os presidentes pode ajudar a reduzir tensões comerciais e abrir espaço para negociações futuras.
Carne brasileira e relação com a União Europeia
Outro tema sensível para o governo brasileiro é a relação comercial com a União Europeia.
Autoridades acompanham com preocupação as discussões no bloco europeu sobre novas exigências sanitárias e ambientais que podem restringir a entrada de produtos agropecuários, especialmente da carne bovina brasileira.
O assunto deve aparecer nas conversas bilaterais realizadas à margem da cúpula e se soma às negociações em torno do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, cuja ratificação enfrenta resistência de alguns países europeus.
Cúpula ocorre sob clima de instabilidade internacional
A reunião do G7 acontece em um momento de forte instabilidade global.
A escalada do confronto entre Israel e Irã ampliou as preocupações sobre segurança internacional e impactos no mercado de energia. Ao mesmo tempo, a guerra entre Rússia e Ucrânia continua sem perspectivas concretas de solução diplomática.
Nesse contexto, o governo brasileiro pretende reforçar a defesa do multilateralismo, da negociação como instrumento para resolução de conflitos e de uma maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões que afetam a economia e a segurança globais.