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Parada há 20 dias no Senado, PEC da escala 6x1 tem futuro incerto

Aprovada pela Câmara em 27 de maio, proposta chegou ao Senado no dia seguinte, mas segue sem perspectiva de avanço, despacho para comissão, relator ou calendário de tramitação.

16/6/2026
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A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 completa, nesta quarta-feira (17), 20 dias no Senado sem qualquer despacho da Presidência da Casa. O texto, aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 27 de maio, segue sem definição sobre relatoria, rito de tramitação e calendário de votação. Ainda não há previsão de avanço.

No sistema oficial do Senado, a PEC 221/2019 aparece como "aguardando despacho". O último andamento registrado é de 28 de maio, quando o texto foi autuado após chegar da Câmara e enviado à publicação.

Galeria na Rua 25 de Março, em São Paulo: PEC impõe mudanças que afetam principalmente o comércio.Rafaela Araújo/Folhapress

O despacho é a etapa necessária para dar início efetivo à tramitação. Sem ele, a proposta não é encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), não recebe relator e não começa a ser discutida formalmente pelos senadores.

A indefinição aumenta a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por dar o primeiro encaminhamento à matéria. O texto reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, prevê dois dias de descanso remunerado e proíbe redução salarial.

Reunião sem data

O gabinete do presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), informou ao Congresso em Foco que ainda não há previsão de reunião com Alcolumbre para tratar da PEC. O encontro é considerado decisivo para definir o relator, o rito e o calendário da proposta. Uma conversa entre os dois estava agendada para a semana passada, mas acabou sendo desmarcada pelo presidente do Senado.

Já a PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e defendida pela oposição, foi encaminhada à CCJ no mesmo dia em que chegou ao Senado, também em 28 de maio.

Disputa com a PEC alternativa

A PEC de Marinho não acaba com a escala 6x1 nem reduz obrigatoriamente a jornada para 40 horas. O texto cria a possibilidade de contratos com jornada flexível, pagamento por hora e direitos proporcionais.

Apesar de a proposta alternativa já estar na CCJ, Otto Alencar ainda não designou relator. Nos bastidores, a decisão é vista como uma forma de impedir que o texto da oposição avance antes da PEC aprovada pela Câmara. O presidente da comissão já indicou que pretende escolher o mesmo relator para as duas matérias.

Disputa por relatoria

A relatoria é um dos principais pontos de disputa. Governistas querem manter o texto aprovado pelos deputados, enquanto a oposição defende mudanças, especialmente no período de transição e nas regras de adaptação para empresas.

Entre os nomes citados para relatar a proposta estão Camilo Santana (PT-CE), Rogério Carvalho (PT-SE), Rodrigo Pacheco (PSB-MG), Omar Aziz (PSD-AM), Eduardo Braga (MDB-AM) e Efraim Filho (PL-PB).

A paralisação ocorre em meio à pressão de parlamentares favoráveis ao fim da escala 6x1. Na segunda-feira (15), o senador Paulo Paim (PT-RS) voltou a defender a votação da proposta no Plenário.

"Não temos mais por que demorar. O Brasil todo e inúmeros empresários já estão, inclusive, aplicando a jornada de 40 horas semanais. Esse projeto impacta positivamente a vida de milhões e milhões de pessoas", afirmou Paim.

Enquanto não houver despacho, a PEC seguirá sem tramitação efetiva.

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