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EUA classificam condenação de Eduardo Bolsonaro como "perseguição"

Departamento de Estado dos EUA critica decisão do STF e cita "padrão de perseguição" em caso do ex-deputado.

19/6/2026
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O Departamento de Estado dos EUA classificou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como "perseguição e manipulação política". O ex-parlamentar foi condenado pela 1ª Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A decisão foi unânime.

Segundo o colegiado, Eduardo teria utilizado sua atuação política nos Estados Unidos para pressionar integrantes da Corte e interferir no julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Em nota à agência Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a decisão da Suprema Corte representa "o mais recente episódio de um padrão de perseguição e de uso político do sistema judicial pelos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos".

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (19), Eduardo comemorou o posicionamento do governo norte-americano.

"Vocês acham mesmo que a maior democracia do mundo, o farol da liberdade, os Estados Unidos, não estariam atentos a esse tipo de conduta totalmente ideológica? Essa aí é mais uma bordoada no STF brasileiro e no Alexandre Moraes."

Ele também citou declaração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Cúpula do G7, na França, na quarta (17), na qual o republicano mencionou o caso, mas confundiu o nome do ex-deputado com o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele."

O julgamento

O julgamento teve origem em denúncia da PGR, que acusou o ex-deputado de atuar nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento de Jair Bolsonaro e outros réus.

Segundo a acusação, Eduardo participou de articulações por sanções contra ministros do STF e de medidas econômicas contra o Brasil com o objetivo de constranger o Judiciário.

Durante o julgamento, a defesa, feita pela Defensoria Pública da União, alegou que o ex-parlamentar exercia atividade política legítima, protegida pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar.

Ao votar pela condenação, o relator Alexandre de Moraes afirmou que as condutas extrapolaram o campo da manifestação política e configuraram tentativa de interferência no Judiciário. Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam integralmente o voto.

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