Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou pedido para participação em uma audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir tarifas a produtos brasileiros.
Segundo o documento enviado à USTR, Flávio irá apresentar testemunho contrário à proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e defender uma solução negociada entre os dois países.
Flávio já consta na lista de inscritos divulgada pelo órgão. O requerimento foi protocolado por seu gabinete na segunda-feira (22), último dia do prazo para inscrições.
O documento apresentado às autoridades americanas pede participação presencial, com cerca de cinco minutos para sua exposição inicial e possibilidade de responder a questionamentos do comitê responsável pela investigação comercial.
Na síntese do depoimento, Flávio Bolsonaro afirma que a imposição de tarifas não alcançaria os objetivos pretendidos e poderia gerar efeitos contrários aos esperados.
"A proposta de tarifa não obteria a eliminação das práticas que pretende atingir e, em vários aspectos, produziria o efeito oposto", sustenta.
O senador defende que os Estados Unidos suspendam a medida e iniciem imediatamente um mecanismo de negociação bilateral com o Brasil, com diferentes áreas do comércio entre os países.
Defesa ao Pix
Flávio também se posiciona contra qualquer medida que afete o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix. "Opõe-se à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a qualquer medida dirigida ao sistema público de pagamentos instantâneos", diz o documento.
Segundo ele, essas ações prejudicariam consumidores e produtores de ambos os países, além de comprometer uma relação histórica entre Brasil e Estados Unidos.
Ele afirma que não comparecerá à audiência para pedir concessões, mas para propor uma reaproximação entre as nações. "Não venho pedir alívio, mas propor a restauração de uma parceria histórica entre iguais", destaca.
No requerimento, o parlamentar destacou já ter mantido reuniões com autoridades de alto escalão dos Estados Unidos, incluindo o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
Audiência
Marcado para 6 de julho, o encontro faz parte do rito previsto na legislação comercial americana e abre espaço para que governos, empresas, associações e especialistas apresentem argumentos antes da deliberação final do presidente Donald Trump.
Além de Flávio, a entidade recebeu requerimentos de instituições brasileiras, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), da União Nacional do Etanol de Milho e da Sociedade Rural Brasileira, e de representantes de produtores nacionais, como a Bauducco.
O influenciador e jornalista Paulo Figueiredo também está na lista de inscritos. também está na lista de inscritos. Aliado da família Bolsonaro, ele é réu no STF por coação processual.
Articulação política
Desde o início de junho, o governo brasileiro intensificou a articulação diplomática para tentar evitar a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre produtos nacionais pelos Estados Unidos. A movimentação ganhou força após USTR abrir prazo para manifestações e negociações.
O governo brasileiro trabalha com um prazo de 15 de julho, data estipulada pelo USTR para a decisão final sobre a eventual imposição das tarifas. Até lá, representantes brasileiros buscam ampliar o espaço de negociação e evitar uma escalada de tensões comerciais.