O deputado italiano Angelo Bonelli, do grupo parlamentar Aliança Verdes e Esquerda, cobrou do governo da Itália informações sobre o paradeiro da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) e questionou se as autoridades sabem onde a ex-deputada está morando. Bonelli afirmou ao Congresso em Foco que a falta de resposta reforça a suspeita de que a polícia italiana não tem controle sobre a localização dela.
Bonelli enviou um pedido formal de esclarecimento ao ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e ao chefe da Polícia de Estado, Vittorio Pisani. No documento, ele pergunta se o governo pretende cumprir mandado de prisão contra Zambelli emitido pela Interpol, por solicitação do Brasil, em 6 de agosto de 2025, e adotar medidas de vigilância antes do julgamento do novo pedido de extradição feito pelo Brasil.
"O governo italiano pode até não responder, mas o silêncio confirma, do meu ponto de vista, que as autoridades italianas não sabem onde Carla Zambelli está morando", disse Bonelli.
O deputado afirmou que aguarda uma resposta do governo da Itália há 12 dias. Para ele, é preocupante que as autoridades italianas não tenham adotado mecanismos de controle para garantir que Zambelli seja entregue às autoridades brasileiras caso a extradição seja autorizada. A Itália tem atualmente como primeira-ministra Giorgia Meloni, considerada uma das principais lideranças da direita europeia.
Veja o ofício do deputado ao Ministério do Interior.
Novo pedido de extradição
A Corte de Cassação da Itália deve julgar em 1º de julho o novo pedido de extradição da ex-parlamentar paulista. O caso trata da condenação de Zambelli pelo Supremo Tribunal Federal a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.
O episódio ocorreu em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Na ocasião, a ex-deputada perseguiu um homem armada após uma discussão política.
Bonelli afirmou ao Congresso em Foco que, desta vez, o desfecho pode ser diferente, com a aceitação do pedido de extradição. De acordo com o deputado da frente esquerdista, o novo caso não tem as mesmas características do primeiro, rejeitado pela Justiça italiana em maio. Naquele processo, a extradição estava relacionada à condenação da ex-deputada pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
"O fundamento jurídico para a recusa do primeiro pedido de extradição foi que o juiz [Alexandre de Moraes] que condenou Zambelli era também o procurador e a parte lesada. No caso do segundo pedido de extradição, os motivos que levaram à recusa do primeiro pedido não se verificam neste segundo", disse Bonelli.
No processo que será analisado agora, a relatoria no STF foi do ministro Gilmar Mendes, e a condenação foi confirmada pelo plenário. Para reforçar o pedido de extradição, Gilmar enviou à Advocacia-Geral da União garantias solicitadas pela Itália, entre elas a informação de que Zambelli cumprirá pena na Penitenciária Feminina de Brasília, com acesso a advogados, familiares e à representação diplomática italiana.
Risco de fuga
O deputado Angelo Bonelli também cobrou do governo de Giorgia Meloni medidas para evitar risco de fuga ou tentativa de Zambelli de escapar da Justiça. "Solicito ao governo, por meio de um novo pedido, que todos os procedimentos necessários sejam implementados caso a extradição de Carla Zambelli seja autorizada", afirmou.
Carla Zambelli está em liberdade desde maio, quando a Corte de Cassação italiana rejeitou o pedido de extradição no caso do CNJ. A decisão de 1º de julho dirá se ela poderá ser enviada ao Brasil para cumprir a pena pela perseguição armada em São Paulo.
A reportagem procurou o advogado Fábio Pagnozzi, um dos responsáveis pela defesa da ex-deputada, para comentar o assunto. Não houve resposta até o momento. O texto será atualizado caso haja retorno.