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PL pede ao TSE suspensão de campanhas publicitárias do governo Lula

Legenda afirma que gestão Lula ultrapassou teto previsto na Lei das Eleições para gastos com publicidade no primeiro semestre de 2026.

25/6/2026
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O Partido Liberal (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral para pedir a suspensão imediata dos empenhos de publicidade institucional do Governo Federal.

A legenda afirma que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ultrapassou o limite de despesas permitido pela legislação eleitoral no primeiro semestre do ano da eleição.

A representação tem pedido de tutela de urgência e foi apresentada contra Lula e contra o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira.

O PL sustenta que houve violação ao artigo 73 da Lei das Eleições, que estabelece limites para gastos com publicidade institucional em ano eleitoral.

Segundo o partido, a medida é necessária para preservar a igualdade de oportunidades entre os concorrentes, a impessoalidade administrativa e a normalidade do pleito.

A legenda afirma que, caso novos empenhos sejam autorizados, a publicidade do governo poderá consolidar uma vantagem comunicacional indevida em favor de Lula, apontado na ação como pré-candidato à reeleição.

Publicidade do Plano Brasil Soberano aparece em ação que acusa governo Lula de excesso de gastos.Reprodução / Instagram

Gastos acima do limite

Na ação, o PL diz ter feito levantamento com base em dados públicos da Secom, do Portal da Transparência e do sistema Siga Brasil, do Senado.

Segundo a legenda, os números indicam que o governo já teria superado o teto legal antes do encerramento do primeiro semestre.

Em uma das bases analisadas, referente à publicidade institucional da Secom, o partido afirma que o governo empenhou R$ 178 milhões até 15 de junho. O teto calculado pela legenda para o período seria de R$ 135,7 milhões. Com isso, o excesso apontado seria de R$ 42,3 milhões.

O cálculo considera os valores empenhados nos anos de 2023, 2024 e 2025. De acordo com a representação, a soma dos três anos foi de R$ 814,4 milhões, o que resultaria em média mensal de R$ 22,6 milhões.

Pela regra eleitoral, esse valor seria multiplicado por seis para definir o teto de gastos no primeiro semestre de 2026.

O PL também apresenta uma segunda análise, com base no sistema Siga Brasil.

Nesse levantamento, que considera empenhos do Poder Executivo relacionados a publicidade de utilidade pública, publicidade institucional e patrocínios, o total de 2026 teria chegado a R$ 785,7 milhões até 18 de junho.

Pela metodologia apresentada pelo partido, o limite semestral seria de R$ 618,1 milhões. Assim, a extrapolação seria de R$ 167,6 milhões, o equivalente a cerca de 27,1% acima do teto estimado.

Campanhas citadas

A representação menciona campanhas de alcance nacional que, segundo o PL, reforçariam a imagem institucional do governo.

Entre elas estão "Balanço Nacional", "Posicionamento do Governo Federal", "Novo PAC", "Plano Brasil Soberano", "COP30", "Campanha Nordeste" e ações sobre a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

O partido também cita a campanha "Tempo com a Família", vinculada à proposta de fim da escala 6x1.

Na avaliação da legenda, a divulgação de um projeto ainda em tramitação no Congresso seria inadequada em ano eleitoral. A ação afirma que essa campanha teria consumido aproximadamente R$ 80 milhões.

Para o PL, a intensificação da publicidade institucional no período pré-eleitoral pode transformar recursos públicos de comunicação em instrumento de promoção política.

A legenda sustenta que a lei não proíbe toda publicidade no primeiro semestre, mas impede sua expansão acima da média histórica definida pela legislação.

Pedido ao TSE

O PL pede que o TSE determine, em caráter liminar, que o governo apresente em 48 horas todos os empenhos de publicidade institucional realizados entre 1º de janeiro e 15 de junho de 2026, ou até a data mais recente disponível.

A legenda solicita que os dados sejam entregues em formato digital aberto, pesquisável e auditável, como CSV, XLSX ou JSON.

O partido pede informações como órgão responsável, número do empenho, data de emissão, valor original, reforços, anulações, cancelamentos, saldo não cancelado, rubrica, contrato, campanha e situação atual.

O partido também quer que o governo apresente a média mensal dos valores empenhados e não cancelados em 2023, 2024 e 2025, discriminando quais despesas foram incluídas ou excluídas do cálculo.

Outro pedido é que Lula e Sidônio sejam impedidos de emitir novos empenhos, reforços ou autorizações equivalentes de despesas com publicidade institucional enquanto não comprovarem a existência de margem legal disponível.

A representação ainda pede a preservação integral de processos administrativos, planos de mídia, autorizações de veiculação, notas fiscais, relatórios de entrega, peças publicitárias, contratos, aditivos e documentos relacionados às campanhas dos anos de 2023 a 2026.

O que diz a lei

O artigo 73, inciso VII, da Lei das Eleições proíbe agentes públicos de empenhar, no primeiro semestre do ano eleitoral, despesas com publicidade institucional que excedam seis vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos três anos anteriores ao pleito.

A norma busca evitar que a administração pública use a estrutura estatal para ampliar a exposição institucional do governo em período eleitoral.

O PL argumenta que a violação é objetiva e ocorre com a superação do limite legal, independentemente da comprovação de intenção eleitoral.

A legenda também pede que, se a irregularidade for confirmada, sejam aplicadas multas aos agentes públicos responsáveis e aos beneficiários da conduta.

A ação solicita ainda comunicação dos fatos ao Tribunal de Contas da União, à Controladoria-Geral da União e ao Ministério Público competente para apuração de eventuais responsabilidades administrativas, financeiras e de improbidade.

Próximos passos

A ação será analisada por um ministro do TSE, que deverá decidir inicialmente sobre o pedido de liminar.

Caso a representação seja admitida, Lula e Sidônio Palmeira serão notificados para apresentar defesa.

O Ministério Público Eleitoral também deverá ser ouvido no processo. No mérito, o tribunal decidirá se houve conduta vedada e se devem ser aplicadas sanções aos representados.

Leia a íntegra da petição.

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