O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (30), durante a Cúpula de Líderes do Mercosul, a criação de um sistema regional de pagamentos inspirado no Pix, ao mesmo tempo em que fez um alerta sobre as ameaças à democracia na América do Sul e defendeu o fortalecimento das instituições do bloco.
Ao abordar os desafios da integração regional, Lula afirmou que o Pix se tornou uma referência internacional em inclusão financeira e pode servir de modelo para aproximar as economias dos países do Mercosul.
"O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma estrutura de pagamentos que beneficie todos os cidadãos do Mercosul", afirmou.
Segundo o presidente, a integração financeira reduziria custos das operações comerciais, ampliaria o uso de moedas locais e tornaria os países do bloco mais resistentes a crises externas.
Autonomia diante das potências
Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula também defendeu que os países do Mercosul mantenham autonomia diante das disputas geopolíticas.
"Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes."
Para ele, o fortalecimento do bloco passa pela diversificação de parcerias comerciais e pela ampliação da cooperação regional.
Defesa da democracia
Outro eixo do pronunciamento foi a defesa das instituições democráticas. Lula afirmou que a democracia enfrenta pressões em diferentes partes do mundo e citou a tentativa de golpe de Estado no Brasil.
"A democracia voltou a ser ameaçada no mundo todo. No Brasil, os extremistas pensaram até em planejar um golpe de Estado."
O presidente também afirmou que redes de desinformação seguem tentando enfraquecer a confiança nas instituições e colocar em dúvida os processos eleitorais da região.
"Apesar das tentativas de semear dúvidas sobre a integridade dos processos eleitorais na América do Sul, o respeito à vontade popular e à confiança nas regras democráticas têm prevalecido."
Mercosul acima dos governos
Ao encerrar o discurso, Lula defendeu que o funcionamento do Mercosul não dependa das mudanças de governo em cada país.
"O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente."
Segundo ele, o bloco precisa consolidar instituições permanentes para manter projetos de integração independentemente da orientação política dos governos.
"O Mercosul continuará sendo prioridade para o Brasil, independentemente de quem seja eleito."