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Discurso

Lula defende Pix regional e ressalta ameaças à democracia no Mercosul

Presidente propôs integração financeira entre os países do bloco, criticou o unilateralismo e disse que instituições precisam ser fortalecidas.

Congresso em Foco

30/6/2026 | Atualizado às 13:24

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (30), durante a Cúpula de Líderes do Mercosul, a criação de um sistema regional de pagamentos inspirado no Pix, ao mesmo tempo em que fez um alerta sobre as ameaças à democracia na América do Sul e defendeu o fortalecimento das instituições do bloco.

Ao abordar os desafios da integração regional, Lula afirmou que o Pix se tornou uma referência internacional em inclusão financeira e pode servir de modelo para aproximar as economias dos países do Mercosul.

"O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma estrutura de pagamentos que beneficie todos os cidadãos do Mercosul", afirmou.

Segundo o presidente, a integração financeira reduziria custos das operações comerciais, ampliaria o uso de moedas locais e tornaria os países do bloco mais resistentes a crises externas.

Autonomia diante das potências

Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula também defendeu que os países do Mercosul mantenham autonomia diante das disputas geopolíticas.

"Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes."

Para ele, o fortalecimento do bloco passa pela diversificação de parcerias comerciais e pela ampliação da cooperação regional.

Defesa da democracia

Outro eixo do pronunciamento foi a defesa das instituições democráticas. Lula afirmou que a democracia enfrenta pressões em diferentes partes do mundo e citou a tentativa de golpe de Estado no Brasil.

"A democracia voltou a ser ameaçada no mundo todo. No Brasil, os extremistas pensaram até em planejar um golpe de Estado."

O presidente também afirmou que redes de desinformação seguem tentando enfraquecer a confiança nas instituições e colocar em dúvida os processos eleitorais da região.

"Apesar das tentativas de semear dúvidas sobre a integridade dos processos eleitorais na América do Sul, o respeito à vontade popular e à confiança nas regras democráticas têm prevalecido."

Mercosul acima dos governos

Ao encerrar o discurso, Lula defendeu que o funcionamento do Mercosul não dependa das mudanças de governo em cada país.

"O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente."

Segundo ele, o bloco precisa consolidar instituições permanentes para manter projetos de integração independentemente da orientação política dos governos.

"O Mercosul continuará sendo prioridade para o Brasil, independentemente de quem seja eleito."
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