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Itália analisa extradição de Carla Zambelli por perseguição armada

Ex-deputada foi condenada pelo STF a 5 anos e 3 meses de prisão por perseguir com arma em punho um jornalista na véspera do segundo turno da eleição de 2022. Em maio, Corte italiana rejeitou extradição no caso da invasão ao CNJ.

1/7/2026
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A Justiça italiana iniciou nesta quarta-feira (1º), em Roma, a audiência sobre o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) no processo em que ela foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. Zambelli não compareceu à sessão.

O caso envolve o episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando a então deputada perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão política. Em julgamento no STF, Zambelli foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão. O placar foi de 9 votos a 2 pelo crime de porte ilegal de arma de fogo e de 10 votos a 1 pelo constrangimento ilegal.

Na véspera do segundo turno da eleição presidencial de 2022, Carla Zambelli perseguiu com arma em punho um eleitor de Lula em São Paulo.Reprodução/Youtube

A análise ocorre depois de o ministro Gilmar Mendes, do STF, enviar à Advocacia-Geral da União garantias exigidas pela Itália para eventual extradição. No documento, o ministro defendeu a validade da condenação e afirmou que o processo tramitou de forma regular, sem vícios ou nulidades que impeçam a entrega da parlamentar à Justiça brasileira.

Entre as garantias encaminhadas pelo STF estão a previsão de que a pena seja cumprida na Penitenciária Feminina de Brasília, o acesso de Zambelli a advogados, familiares e à representação diplomática italiana, além do envio de informações periódicas ou imediatas às autoridades italianas, desde que os pedidos sejam formalizados pelos canais oficiais.

Extradição negada e soltura

O novo processo de extradição é diferente daquele analisado em maio pela Corte Suprema de Cassação da Itália. Na ocasião, a Justiça italiana rejeitou a extradição de Zambelli no caso da condenação a 10 anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O tribunal também pôs a ex-deputada em liberdade.

Ao negar a entrega da parlamentar no caso do CNJ, a Corte italiana apontou dúvidas sobre a imparcialidade objetiva do julgamento no Brasil. Os magistrados citaram o fato de Alexandre de Moraes ter atuado no processo como integrante do colegiado julgador e, ao mesmo tempo, como pessoa considerada prejudicada por um dos crimes atribuídos a Zambelli.

No caso da perseguição armada, Gilmar Mendes sustentou que a condenação foi tomada pelo Plenário do STF, a mais alta instância do Judiciário brasileiro, por ampla maioria. A manifestação busca afastar questionamentos semelhantes aos levantados pela Justiça italiana no processo anterior.

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