O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma menção pública do senador Jaques Wagner (PT-BA) nesta quarta-feira (1º), durante agenda na Bahia, ao destacar a longa relação política e pessoal que mantém com o ex-líder do governo no Senado. A declaração ocorre poucos dias após o senador ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Lula fez um discurso marcado por elogios ao senador e aos principais aliados políticos baianos. "O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, a minha relação com o Rui Costa, a minha relação com o Jerônimo, a minha relação com vários deputados que estão aqui e a minha relação com o Otto?", afirmou.
O presidente disse que algumas relações da vida são construídas ao longo da trajetória política e aproveitou para destacar a parceria com Wagner.
"A gente não escolhe pai, a gente não escolhe mãe, mas a gente escolhe companheiros. E aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data."
Em seguida, afirmou que a amizade construída ao longo dos anos foi decisiva em sua trajetória política.
"A verdade é essa: nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. Essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou."
O presidente também relembrou que conheceu o senador Otto Alencar (PSD-BA) por intermédio de Jaques Wagner. "É a primeira vez que eu vi o Otto. Eu fui apresentado pelo Wagner e falei: 'Otto, se eu fosse baiano, eu ia votar em você'."
Operação da Polícia Federal
As declarações ocorrem cerca de duas semanas após Jaques Wagner ser um dos alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
O senador foi alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da investigação que apura supostas irregularidades relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente US$ 55 mil e 33 mil euros, cerca de R$ 471 mil em valores atuais, encontrados em endereços ligados ao parlamentar.
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade.
Defesa no Senado
Após a operação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que a Advocacia da Casa ingressará no STF para defender as prerrogativas parlamentares de Jaques Wagner.
Segundo Alcolumbre, medidas determinadas pela Justiça afetaram o exercício do mandato do senador, como bloqueios que atingiram recursos utilizados na atividade parlamentar. O presidente da Casa também criticou o que chamou de "criminalização da política" e defendeu a presunção de inocência durante as investigações.