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CASO MASTER

Jaques Wagner pede ao STF que anule operação da Polícia Federal

Advogados argumentam que votos do senador contrariam tese de que ele teria atuado em benefício do Banco Master.

Congresso em Foco

22/6/2026 19:07

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A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, apresentou ao STF um pedido para anular a decisão que autorizou a operação de busca e apreensão da Polícia Federal em sua residência, realizada na última quinta-feira (18). Segundo os advogados, o mandado foi solicitado com base em uma premissa falsa.

Em nota à imprensa, a defesa afirma que, ao contrário do que sustenta a Polícia Federal, "o senador jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master", razão pela qual não haveria motivo para incluí-lo nas investigações da Operação Compliance Zero.

Defesa relembrou que Jaques Wagner votou contra a

Defesa relembrou que Jaques Wagner votou contra a "emenda master", um dos epicentros do inquérito.Geraldo Magela/Agência Senado

Para os advogados, "prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à medida provisória 1.106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco. Além disso, o senador se posicionou contra a 'Emenda Master', apresentada por outro parlamentar, no âmbito da PEC 65/2023".

"A defesa confia que o Supremo Tribunal Federal corrigirá os equívocos e reafirma a tranquilidade do senador quanto à sua conduta", conclui a nota.

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Emenda Master

A chamada "Emenda Master", citada pela defesa, foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) à PEC em tramitação que amplia a autonomia do Banco Central. O texto previa elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) dos atuais R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.

Ciro é investigado por suspeitas de que a proposta teria buscado ampliar a margem de atuação da fraude financeira atribuída ao Banco Master. O senador nega que a iniciativa tenha sido elaborada para beneficiar a instituição e afirma defender a ampliação da cobertura do fundo.

Investigação contra Wagner

Jaques Wagner foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero. O senador é investigado como possível beneficiário de vantagens econômicas decorrentes do esquema de fraude financeira atribuído ao Banco Master.

Segundo decisão do ministro André Mendonça, do STF, a Polícia Federal identificou indícios de que benefícios teriam sido direcionados ao parlamentar, de forma direta ou indireta, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao grupo investigado.

Para os investigadores, a interlocução entre Wagner e a instituição financeira teria sido intermediada pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. A relação entre ambos seria antiga, próxima e marcada por confiança pessoal, o que teria favorecido tratativas reservadas em benefício dos interesses do Banco Master.

Na residência do parlamentar, em Brasília, foram apreendidos envelopes contendo US$ 49 mil em espécie, além de relógios de luxo e aparelhos celulares. Jaques Wagner nega as irregularidades apontadas.

Origem dos valores

Na nota, a defesa reforçou as explicações apresentadas pelo senador em entrevistas sobre a origem do dinheiro apreendido em sua residência. Segundo os advogados, "parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular".

A defesa acrescenta que "o próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens", o que, segundo os advogados, enfraquece o fundamento para a atuação da Polícia Federal.

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