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Tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos passa a valer nesta quarta

Medida atinge milhares de mercadorias exportadas pelo Brasil; governo aposta em negociação, apoio às empresas e abertura de novos mercados.

22/7/2026
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A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22). A cobrança passou a valer à 1h01, no horário de Brasília, para mercadorias que chegam ao território norte-americano.

A medida foi determinada pelo governo de Donald Trump após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

O mecanismo permite que Washington adote sanções contra práticas consideradas prejudiciais às empresas e ao comércio dos Estados Unidos.

Apesar de ter sido anunciada como uma tarifa sobre produtos brasileiros de forma geral, a decisão inclui uma extensa relação de exceções. Produtos importantes na pauta de exportações do Brasil, como café, carne bovina, suco de laranja, petróleo, celulose e determinados componentes aeronáuticos, ficaram de fora da nova cobrança.

Entre os segmentos mais expostos estão produtos manufaturados, como calçados, máquinas, artigos de madeira, açúcar, medicamentos e outros bens industriais. Estimativas do setor produtivo indicam que cerca de 4,2 mil categorias de produtos podem ser alcançadas pela medida, envolvendo aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.

Tarifaço americano marca novo capítulo nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.Arte Congresso em Foco

Investigação cita Pix, etanol e comércio digital

A investigação norte-americana foi aberta em 2025, quando Trump anunciou uma primeira rodada de tarifas contra o Brasil. O USTR concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam discriminatórias ou prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos.

Entre os pontos questionados estão as regras brasileiras para o comércio digital e plataformas de pagamento, o tratamento tarifário concedido a alguns parceiros comerciais, as políticas sobre patentes, o combate à pirataria e à corrupção, a proteção do mercado de etanol e o enfrentamento ao desmatamento ilegal.

O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos Pix também esteve no centro das críticas. O governo norte-americano avalia que determinadas regras adotadas pelo Brasil teriam prejudicado empresas dos Estados Unidos que atuam no setor de meios de pagamento.

O governo brasileiro contesta essa interpretação e sustenta que o Pix é uma infraestrutura pública e aberta à participação de empresas nacionais e estrangeiras. Durante as negociações, o Brasil também resistiu a alterações que facilitassem a entrada do etanol norte-americano no mercado nacional ou reduzissem obrigações impostas às grandes empresas de tecnologia.

Cobrança pode ser ampliada

A entrada em vigor da tarifa não encerra as negociações. O governo dos Estados Unidos poderá retirar ou acrescentar produtos à lista conforme o andamento das conversas com o Brasil.

Em Brasília, representantes do governo e do setor produtivo avaliam que as exceções concedidas diminuem o impacto imediato sobre a balança comercial, mas não eliminam os prejuízos para empresas que dependem do mercado norte-americano.

Setores industriais alertam que a cobrança reduz a competitividade dos produtos brasileiros e pode provocar perda de contratos, diminuição da produção e fechamento de postos de trabalho, principalmente entre empresas que têm os Estados Unidos como principal destino de suas vendas.

Ao mesmo tempo, o Planalto pretende manter a Lei da Reciprocidade como instrumento de pressão, sem necessariamente aplicar, de imediato, tarifas equivalentes sobre mercadorias norte-americanas.

A prioridade será evitar uma escalada comercial e tentar obter novas exceções para os setores mais afetados.

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