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Durigan chama Milei de "palhaço" ao defender economia brasileira

Ao responder declarações de Javier Milei, ministro da Fazenda citou dólar, inflação, risco-país e desemprego.

27/7/2026
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de "palhaço" nesta segunda-feira (27) ao rebater críticas feitas pelo argentino ao governo brasileiro. Durante entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Durigan comparou indicadores econômicos dos dois países e afirmou que o Brasil apresenta resultados mais favoráveis.

"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou do Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta e a inflação lá é muito mais alta."

A manifestação ocorreu depois de Milei participar, no sábado (25), da convenção nacional do Partido Liberal, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. No evento, o argentino atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em seu discurso, Milei se referiu a Lula como "presidiário" e "lixo socialista". Também chamou Moraes de "lixo careca" ao criticar a decisão que impediu uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Durigan destaca indicadores brasileiros

Ao responder ao presidente argentino, Durigan citou a cotação do dólar e o risco-país como sinais de confiança na economia brasileira.

Segundo ele, a moeda norte-americana estava entre R$ 5,27 e R$ 5,30 quando Lula assumiu a Presidência, em janeiro de 2023, e atualmente está próxima de R$ 5,08.

O ministro também mencionou o nível de desemprego, a inflação, a produção agrícola, a balança comercial e a redução do desmatamento para defender o desempenho do governo.

"Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse, que vai ter problema, porque o Brasil está com mínima de desemprego, mínima de inflação, recorde em balança comercial, safra recorde e desmatamento [em queda], porque aqui não passa boiada. A gente cuida do meio ambiente ao mesmo tempo que cuida da economia."

Dados oficiais da balança comercial mostram que, até a segunda semana de julho, o Brasil acumulava superávit de US$ 46,9 bilhões em 2026, crescimento de 40,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Durigan reconheceu, no entanto, que ainda existem desafios, especialmente em relação aos juros e ao endividamento.

"Não estou dizendo que está tudo resolvido. Nós temos essa milha final para cumprir, que é lidar com juros e com endividamento", declarou.

Ministro defende redução de despesas obrigatórias

Na avaliação de Durigan, os juros elevados afetam famílias, produtores rurais, empresas e as próprias contas públicas, ao aumentarem o custo de financiamento e de rolagem da dívida brasileira.

"Eu próprio, como chefe do Tesouro Nacional, sinto o impacto dos juros, porque tenho que pagar juros altos para rolar a dívida do país. É uma coisa que me incomoda muito."

O ministro defendeu a redução das despesas obrigatórias como forma de melhorar as perspectivas fiscais e criar condições para que o Banco Central diminua a taxa básica de juros.

Crise diplomática

As declarações de Milei durante a passagem por São Paulo provocaram uma nova tensão diplomática entre os dois países.

O governo brasileiro chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, e convocou o representante argentino em Brasília, Daniel Raimundi, para prestar esclarecimentos.

O Itamaraty considerou que as falas do presidente argentino representaram uma afronta ao governo brasileiro, ao Poder Judiciário e à população do país.

A relação entre Lula e Milei é marcada por divergências ideológicas e por trocas recorrentes de críticas desde antes da posse do argentino, em dezembro de 2023.

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