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STF

Moraes barra visita de Milei a Bolsonaro durante viagem ao Brasil

Ministro considerou o pedido prejudicado após suspender por 30 dias as visitas ao ex-presidente.

Congresso em Foco

20/7/2026 8:05

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impediu que o presidente da Argentina, Javier Milei, visite o ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua passagem pelo Brasil. O encontro havia sido solicitado pela defesa para 25 de julho, data em que o argentino participará da convenção nacional do Partido Liberal em São Paulo.

Na decisão, proferida no sábado (18), Moraes declarou prejudicado o pedido dos advogados devido às restrições impostas a Bolsonaro no dia anterior. Durante 30 dias, o ex-presidente somente poderá receber visitas permanentes de médicos, fisioterapeutas e advogados.

Milei anunciou que pretende viajar ao Brasil para participar da convenção que deverá oficializar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato do partido à Presidência da República. O evento está marcado para o dia 25, na Arena Pacaembu, em São Paulo.

O presidente argentino havia afirmado que aproveitaria a viagem para passar por Brasília e cumprimentar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária. Com a decisão do STF, o encontro não poderá ocorrer na data prevista.

Milei participará da convenção do PL, mas não poderá se encontrar com Bolsonaro.

Milei participará da convenção do PL, mas não poderá se encontrar com Bolsonaro.Reprodução / Redes Sociais

Carta motivou novas restrições

A suspensão das visitas foi determinada depois que Flávio leu publicamente uma carta escrita pelo pai e divulgou o conteúdo em uma transmissão nas redes sociais. Intitulado "Carta aos Brasileiros", o documento apresenta o senador como o escolhido de Bolsonaro para disputar a Presidência e como seu "porta-voz" no processo eleitoral.

No texto, o ex-presidente pede que apoiadores deixem eventuais diferenças de lado e trabalhem pela eleição do filho. Para Moraes, o conteúdo tinha finalidade política e eleitoral e sua divulgação representou descumprimento das regras estabelecidas para a prisão domiciliar.

A defesa alegou que Bolsonaro não sabia que o texto seria divulgado publicamente e que não houve acordo prévio para que Flávio transmitisse a mensagem pelas redes sociais. O ministro, porém, rejeitou a justificativa.

Segundo Moraes, o fato de a carta ser dirigida "aos brasileiros", apresentar Flávio como pré-candidato e terminar com uma saudação coletiva demonstraria que o documento não tinha caráter particular. Para o ministro, Bolsonaro participou da produção de uma mensagem destinada à divulgação pública e utilizou o filho como intermediário para alcançar seus apoiadores.

Além da suspensão geral das visitas por 30 dias, Bolsonaro está proibido de produzir ou divulgar manifestos político-eleitorais, inclusive por meio de terceiros, até o término das eleições de 2026. Moraes advertiu que um novo descumprimento poderá levar à revogação da prisão domiciliar e ao retorno do ex-presidente ao regime fechado.

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Flávio já estava impedido de visitar o pai

Flávio Bolsonaro já havia sido proibido de visitar o pai pelo prazo de 90 dias, em decisão tomada no dia 13 de julho. A medida também foi motivada pela divulgação da carta.

A restrição permanece em vigor mesmo com o senador registrado como integrante da equipe de advogados do ex-presidente. A suspensão específica aplicada a Flávio é mais longa do que a proibição geral de visitas determinada posteriormente.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, sendo 24 anos e nove meses de reclusão e dois anos e seis meses de detenção, com regime inicial fechado. A prisão domiciliar humanitária foi concedida para permitir sua recuperação de uma broncopneumonia.

Processo: EP 169

Íntegra da decisão de Alexandre de Moraes.

Veja a íntegra da decisão sobre o uso das redes sociais.

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