Notícias

Impasse em MG deixa Flávio sem palanque para 51 milhões de eleitores

Com Minas em aberto diante da possível saída de Cleitinho, Flávio não tem apoio confirmado de candidatos a governador em oito Estados que reúnem um terço do eleitorado nacional. Convenções vão até 5 de agosto.

29/7/2026
Publicidade
Expandir publicidade

O impasse entre o Republicanos e o senador Cleitinho deixou Flávio Bolsonaro (PL) sem palanque confirmado de candidato a governador em Minas Gerais, a uma semana do fim das convenções partidárias. A legenda anunciou nesta quarta-feira (29) que o parlamentar não disputará o governo, mas Cleitinho reagiu e afirmou que não desistiu da eleição. O prazo para a escolha formal dos candidatos termina em 5 de agosto.

Com Minas novamente em aberto, Flávio segue sem o apoio confirmado de candidatos a governador em oito Estados que somam aproximadamente 51,3 milhões de eleitores. O contingente representa 32,3% do eleitorado brasileiro, quase uma em cada três pessoas aptas a votar.

Eventual saída de Cleitinho da disputa ao governo de Minas Gerais obrigará Flávio a buscar um plano B no segundo maior colégio eleitoral do país.Pedro França/Agência Senado

Além de Minas, a lista reúne Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Tocantins. O levantamento do Congresso em Foco só considera como palanque os casos em que o candidato ao governo declarou apoio a Flávio ou deu sinais claros de que fará campanha por ele. A participação do PL em uma coligação estadual, por si só, não basta: o candidato que encabeça a chapa pode apoiar outro presidenciável ou permanecer neutro.

Republicanos descarta candidatura; Cleitinho resiste

Ao anunciar que não lançará Cleitinho, o Republicanos atribuiu a decisão à falta de uma manifestação inequívoca do senador. Segundo a legenda, a construção de uma candidatura exige decisão firme e não poderia depender de sucessivos adiamentos e sinais contraditórios.

O partido também tratou a ausência de Cleitinho na convenção estadual de sábado (25) como um fato político que obrigou os aliados a reorganizar os planos. O senador não participou do encontro por estar de luto pela morte do irmão mais novo. A convenção homologou as candidaturas proporcionais, mas deixou a chapa majoritária sem definição.

Cleitinho respondeu que permanece na disputa. A declaração, porém, não encerra o impasse: o Republicanos comunicou que não pretende lançá-lo, e seu nome não foi escolhido formalmente pela convenção.

O PL também realizou seu encontro estadual sem apresentar candidato próprio ao governo. A legenda decidiu aguardar Cleitinho, considerado sua principal opção para montar um palanque competitivo para Flávio no Estado.

Flávio pode perder o líder das pesquisas

Uma eventual saída de Cleitinho representa um revés para Flávio porque retira da articulação o líder da corrida mineira. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira (28) mostra o senador à frente em todos os cenários testados, com índices entre 34% e 35%.

Sem Cleitinho, a disputa fica mais aberta. Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT) e o governador Mateus Simões (PSD) aparecem tecnicamente empatados na sequência. O levantamento ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho e tem margem de erro de três pontos percentuais.

O desempenho explica por que o PL evitou antecipar um plano alternativo. Cleitinho ofereceria a Flávio capacidade de mobilizar prefeitos, parlamentares e lideranças regionais, além de compartilhar agendas e exposição eleitoral.

Sem ele, o partido terá de construir candidatura própria ou negociar espaço em outra chapa. O ex-deputado Marcelo Aro (PP) e os empresários Flávio Roscoe e Vittorio Medioli foram mencionados nas articulações, mas nenhum apresenta hoje a mesma competitividade eleitoral de Cleitinho.

O PT também teve dificuldade para encontrar um nome depois que Rodrigo Pacheco (PSB) decidiu não concorrer. Na reta final das convenções, lançou Patrus Ananias. Simões, por sua vez, apoia Romeu Zema (Novo) para a Presidência. O atual governador era vice do presidenciável até assumir o Executivo mineiro em abril.

Minas é estratégica para o Planalto

A indefinição ocorre no segundo maior colégio eleitoral do país. Minas Gerais tem 16.377.659 eleitores, equivalentes a 10,32% do total nacional, e fica atrás apenas de São Paulo.

O Estado também carrega forte simbolismo nas campanhas presidenciais. Desde 1989, o candidato mais votado pelos mineiros no turno em que a eleição foi decidida também venceu a disputa nacional. A coincidência ocorreu nas nove eleições presidenciais realizadas no período.

Sem um candidato competitivo ao governo, a campanha de Flávio dependerá mais das candidaturas ao Senado, à Câmara e à Assembleia, além da estrutura de prefeitos e parlamentares aliados. Essa rede pode garantir presença no Estado, mas não substitui integralmente a visibilidade e o poder de mobilização de uma candidatura forte ao Executivo.

Oito Estados concentram quase um terço do eleitorado

Depois de Minas, a Bahia é o maior colégio eleitoral entre os Estados em aberto para Flávio, com 11,32 milhões de pessoas aptas a votar. Somados, os dois Estados chegam a 27,7 milhões de eleitores.

Pernambuco tem aproximadamente 7,23 milhões; Ceará, quase 7 milhões; Maranhão, 5,19 milhões; Alagoas, cerca de 2,4 milhões; Tocantins, 1,18 milhão; e Amapá, aproximadamente 578 mil.

Juntos, os oito Estados alcançam 51,3 milhões de eleitores, diante de um total nacional de 158,7 milhões. Cinco das oito dificuldades estão no Nordeste: Bahia, Ceará, Pernambuco, Maranhão e Alagoas reúnem aproximadamente 33,1 milhões de pessoas aptas a votar.

PL apoia candidatos que não apoiam Flávio

Na Bahia e no Ceará, o PL participa das principais alianças estaduais, mas não obteve como contrapartida o apoio dos candidatos ao governo.

Na Bahia, a legenda integra a coligação liderada por ACM Neto (União Brasil). O candidato, porém, reafirmou apoio a Ronaldo Caiado (PSD) na eleição presidencial e liberou os partidos aliados para defenderem seus próprios nomes ao Planalto. Integrantes do PL poderão pedir votos para Flávio, mas o cabeça da chapa estará no palanque de um adversário.

No Ceará, o PL oficializou apoio a Ciro Gomes (PSDB), mas o acordo está restrito à disputa estadual. O presidente da legenda no Estado, André Fernandes, afirmou que a composição não inclui compromisso de Ciro com Flávio.

O ex-governador já citou Caiado e Renan Santos (Missão) como possíveis escolhas para presidente e não sinalizou adesão a Flávio. O acordo também expôs uma divergência na família Bolsonaro: Michelle Bolsonaro criticou publicamente a aproximação, enquanto Flávio avalizou a aliança estadual.

Em Pernambuco, Flávio também não encontrou até agora um candidato ao governo disposto a assumir sua campanha. Alagoas, Maranhão, Amapá e Tocantins completam a relação de Estados sem palanque confirmado.

Prazo aumenta pressão sobre o PL

Ficar sem candidato a governador não significa ausência completa de estrutura eleitoral. Onde não houver reciprocidade na chapa estadual, candidatos ao Senado e à Câmara poderão funcionar como referências para Flávio. A solução reduz o prejuízo, mas não oferece a mesma visibilidade de uma candidatura competitiva ao governo.

As convenções seguem até 5 de agosto. Até lá, Republicanos e PL ainda podem retomar a negociação com Cleitinho, apresentar outro nome ou reorganizar a chapa mineira.

A contradição entre o anúncio do partido e a negativa do senador mantém o cenário aberto. O efeito político imediato, porém, está definido: Flávio continua sem palanque confirmado de candidato a governador em Estados que concentram quase um terço do eleitorado nacional.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos