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MAPA ELEITORAL

Lula tem palanque em 26 unidades federativas; Flávio ainda busca oito

Com sete Estados indefinidos e Minas condicionada à decisão de Cleitinho, senador ainda vê alianças do PL no Ceará e na Bahia sem contrapartida presidencial. Veja os palanques dos cinco principais candidatos ao Planalto.

Congresso em Foco

29/7/2026 | Atualizado às 13:29

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O presidente Lula (PT) chega à fase decisiva das convenções partidárias com a rede mais extensa de prováveis palanques entre os cinco candidatos mais bem colocados na corrida ao Planalto. Levantamento do Congresso em Foco identifica candidatos a governador alinhados ao petista em 25 Estados e no Distrito Federal. Roraima é a única unidade da Federação ainda sem definição, após a candidata do partido desistir da disputa.

Flávio Bolsonaro (PL) tem apoiadores identificados em 20 unidades federativas, mas a inclusão de Minas Gerais depende de o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) confirmar que disputará o governo. Sem contar Minas, são 19 palanques bem encaminhados e sete Estados indefinidos: Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Tocantins.

Lula, Flávio, Zema, Renn e Caiado: mapas indicam o palanque de cada presidenciável por Estado.

Lula, Flávio, Zema, Renn e Caiado: mapas indicam o palanque de cada presidenciável por Estado.Arte Congresso em Foco

Romeu Zema (Novo) aparece com palanque em nove unidades federativas. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm sete cada. O recorte considera os cinco primeiros colocados na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (29): Lula, Flávio, Renan, Caiado e Zema.

O levantamento registra candidatos a governador que declararam apoio, firmaram entendimento político com reciprocidade presidencial ou deram sinalização consistente de alinhamento. A presença do partido do presidenciável em uma coligação estadual, isoladamente, não significa que o candidato ao governo apoiará seu nome para o Planalto.

Veja no mapa abaixo quais são os candidatos a governador que devem ceder palanque ao petista:

PT, PSD e PSB ampliam mapa de Lula

Lula tem 27 possíveis apoiadores distribuídos em 26 unidades federativas, porque o Distrito Federal reúne duas alternativas: Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). O PT fornece 12 nomes; o PSD, cinco; e o PSB, quatro. MDB e PDT aparecem com dois cada, e PP e União Brasil, com um.

A composição permite ao presidente avançar para além dos partidos de esquerda. Cinco candidatos do PSD estão no campo lulista: Omar Aziz, no Amazonas; Natasha Slhessarenko, em Mato Grosso; Eduardo Paes, no Rio de Janeiro; Fábio Mitidieri, em Sergipe; e Laurez Moreira, no Tocantins.

A extensão do mapa não significa, porém, que todas as campanhas estaduais serão nacionalizadas. Parte dos candidatos tenta preservar alianças locais heterogêneas e reduzir a exposição à polarização entre Lula e Flávio.

Minas desafia os dois líderes

Minas Gerais concentra a principal indefinição nos mapas de Lula e Flávio. Além de ser o segundo maior colégio eleitoral, o Estado funciona como termômetro da disputa nacional: desde 1989, o candidato mais votado pelos mineiros também venceu a eleição presidencial.

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O plano inicial de Lula era lançar o senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo. Pacheco, porém, confirmou no fim de maio que não concorreria e anunciou que deixará a vida pública ao término do mandato. Depois de esperar por meses pela decisão, o PT precisou reorganizar o palanque e recrutou o deputado Patrus Ananias na reta final das convenções.

Flávio também depende de uma decisão ainda não tomada. Cleitinho lidera as pesquisas para o governo mineiro, mas pode esperar até o último dia das convenções para anunciar se concorrerá. O PL realizou seu encontro estadual sem lançar candidato próprio e mantém o compromisso de apoiá-lo. A expectativa é que, caso entre na disputa, o senador abra palanque para Flávio. Se desistir, a legenda terá de buscar um plano B. Um dos nomes cotados, nesse caso, é o do ex-secretário da Casa Civil de Minas e ex-deputado federal Marcelo Aro (PP).

Veja no mapa abaixo quais são os candidatos a governador que devem ceder palanque a Flávio:

PL estadual não assegura apoio a Flávio

O Ceará é o exemplo mais claro de que uma aliança estadual pode não produzir reciprocidade presidencial. O PL oficializou apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo, mas o acordo não prevê que o ex-governador peça votos para Flávio.

O presidente estadual do PL, André Fernandes, reconheceu que a composição está restrita à eleição cearense. Ciro citou Caiado e Renan Santos como possíveis escolhas para o Planalto e não sinalizou apoio ao candidato do PL. Por isso, o Ceará aparece como indefinido no mapa de Flávio.

O acordo com Ciro também provocou uma discussão pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que defendia a aliança com Eduardo Girão (Novo), e Flávio, que avalizou a parceria com o tucano.

Na Bahia, o PL integra a coligação de ACM Neto (União Brasil), mas também não recebeu o apoio do candidato ao governo. Neto declarou voto em Caiado e liberou as legendas aliadas para defenderem seus próprios presidenciáveis. A estrutura estadual terá integrantes fazendo campanha para Flávio, mas o cabeça da chapa estará no palanque de Caiado.

A base de Flávio é mais concentrada partidariamente que a de Lula. Entre os 22 nomes relacionados, 12 são do PL, cinco do Republicanos, quatro do PP e um do Podemos. O número do Republicanos inclui Cleitinho, cuja candidatura permanece condicionada.

Sete candidatos do PSD não devem apoiar Caiado

Pernambuco é outra demonstração da autonomia das disputas estaduais. O PSD sustenta a reeleição da governadora Raquel Lyra, mas ela sinaliza que pretende manter independência na corrida ao Planalto.

Raquel se aproximou institucionalmente de Lula durante o mandato e preservou a parceria com o governo federal. O presidente, no entanto, declarou apoio a João Campos (PSB), adversário da governadora. Por isso, o mapa lulista em Pernambuco aponta João, enquanto Raquel não aparece como palanque de Caiado. A tendência é que ela se mantenha neutra.

Veja no mapa abaixo quais são os candidatos a governador que devem ceder palanque a Caiado:

A dificuldade de Caiado começa dentro do próprio partido. Entre 11 candidaturas do PSD aos governos estaduais consideradas no levantamento, sete não devem pedir votos ao presidenciável da legenda.

Cinco estão alinhadas a Lula: Omar Aziz, Natasha Slhessarenko, Eduardo Paes, Fábio Mitidieri e Laurez Moreira. Em Minas, Mateus Simões apoia Zema, de quem era vice até o começo de abril.

Caiado conta com quatro candidatos do PSD: José Roberto Arruda, no Distrito Federal; Sandro Alex, no Paraná; Adailton Fúria, em Rondônia; e João Rodrigues, em Santa Catarina. Seu mapa é completado pelos emedebistas Daniel Vilela, em Goiás, e Gabriel Souza, no Rio Grande do Sul, além de ACM Neto.

Zema depende quase integralmente do próprio Novo: oito dos seus nove apoiadores pertencem à legenda. A exceção é Mateus Simões. Renan Santos tem sete palanques, todos formados por candidatos do Missão.

Veja no mapa abaixo quais são os candidatos a governador que devem ceder palanque Zema:

Veja no mapa abaixo quais são os candidatos a governador que devem ceder palanque a Renan:

Convenções mantêm cenário aberto

Os mapas ainda são provisórios. As convenções começaram em 20 de julho e seguem até 5 de agosto, período em que partidos e federações escolhem candidatos e formalizam coligações.

Até o encerramento do prazo, desistências, composições de última hora e novas declarações de apoio podem alterar as contas. O retrato atual mostra que capilaridade partidária e adesão pessoal nem sempre caminham juntas: candidatos estaduais tentam manter alianças amplas e, sempre que possível, escapar de uma polarização nacional que pode limitar seu eleitorado.

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