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Após impasse, Cleitinho confirma candidatura ao governo mineiro

Horas após o Republicanos anunciar sua saída da disputa, senador pede desculpas pela demora na decisão e cobra união da direita em torno de seu nome em Minas Gerais.

30/7/2026
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Após semanas de indefinição, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) anunciou na noite desta quarta-feira (29) que disputará o governo de Minas Gerais. A declaração contraria o presidente nacional do partido, deputado Marcos Pereira (SP), que havia informado horas antes que o parlamentar desistira da eleição estadual.

O anúncio foi feito durante coletiva na Praça do Santuário, no centro de Divinópolis, diante de apoiadores e lideranças políticas. Cleitinho justificou a decisão pelo desempenho nas pesquisas eleitorais.

"Em todos os cenários eu lidero as pesquisas. O que eu falei é que, se até o final eu estiver liderando, eu serei candidato. A voz do povo é a voz de Deus. Eu serei candidato", afirmou.

O senador também citou o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, nas articulações para a disputa. "Eu anuncio que eu e o Falcão somos pré-candidatos ao governo de Minas", disse, sem esclarecer como seria composta a chapa.

A candidatura de Cleitinho é considerada estratégica pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputará a Presidência da República. Flávio já declarou apoio a Cleitinho e espera reciprocidade do senador. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país. Desde 1989, todos os presidenciáveis que ganharam no Estado venceram a corrida ao Planalto. Sem Cleitinho no páreo, Flávio terá de apelar a um candidato com menor potencial de votos para ter um palanque em Minas Gerais.

Divergênca com a direção

A declaração aprofundou o conflito entre Cleitinho e o comando nacional do Republicanos. Pela manhã, Marcos Pereira afirmou à GloboNews que o senador havia desistido. Cerca de 40 minutos depois, a assessoria do parlamentar informou que ele continuava no páreo pela própria legenda.

Cleitinho pediu desculpas ao partido pela demora em assumir formalmente a candidatura e disse ter enviado uma carta ao presidente nacional da sigla.

"Tenho defeitos, tenho equívocos. Se essa minha questão pessoal chateou o partido, eu peço desculpas", afirmou.

Segundo o Republicanos, a legenda aguardou durante meses uma definição do senador e trabalhou para viabilizar o projeto. Sem uma confirmação formal, porém, passou a reorganizar sua estratégia eleitoral no estado.

Cleitinho disse esperar uma solução interna. "Tenho certeza de que eles vão entender isso e vão me dar a chance de ser candidato a governador", declarou.

Decisão cabe ao partido

Apesar do anúncio, a candidatura depende da aprovação do Republicanos. Pela legislação eleitoral, cabe à convenção partidária escolher os candidatos e à direção da legenda solicitar os registros à Justiça Eleitoral.

Cleitinho pode deixar o partido sem perder o mandato de senador, mas não pode concorrer ao governo por outra sigla. O prazo de filiação partidária terminou em 4 de abril, e uma eventual candidatura só poderá ser registrada pelo partido ao qual ele estava filiado nessa data. "Disseram que o prazo era até hoje. Então está feito. Eu sou candidato", afirmou.

Luto adiou definição

O senador atribuiu parte da demora ao luto pela morte do irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, que morreu no sábado (18), em Divinópolis, durante tratamento contra leucemia.

"Só quem passa pelo luto sabe o que é isso. Eu vou ser candidato a governador pelo Republicanos. Vamos resolver uma coisa de cada vez", disse.

Na terça-feira (28), Cleitinho publicou um vídeo produzido com inteligência artificial no qual versões digitais do pai e do irmão, ambos mortos, apareciam incentivando-o a "ir em frente" e a "fazer o que tem que ser feito".

Cobrança por união

Horas antes do anúncio, Cleitinho não participou de um encontro político em Uberlândia no qual dividiria o palco com Marcelo Aro (PP), também cotado para disputar o governo mineiro.

Aro evitou confirmar uma candidatura e afirmou que buscava uma decisão coletiva. Na coletiva, Cleitinho disse esperar seu apoio e cobrou a união da direita.

"Se eu continuar liderando as pesquisas, é porque o povo quer. Então eu espero que essa direita, que disse que precisa se unir, agora se una comigo", afirmou.

O senador acrescentou que Aro já havia demonstrado disposição para apoiá-lo caso entrasse na disputa.

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