Notícias

Durante crise diplomática, Lula promove general que lutou no Paraguai

Reconhecimento ao militar coincide com nova escalada das divergências entre Brasília e Assunção sobre a Guerra do Paraguai.

31/7/2026
Publicidade
Expandir publicidade

Em decreto assinado na quinta-feira (30) e publicado nesta sexta-feira (31) no Diário Oficial da União, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu promoção honorária post mortem ao brigadeiro Antônio de Sampaio, que passa a ser referenciado pela patente de marechal. O militar foi um dos principais comandantes brasileiros na Guerra do Paraguai.

A homenagem foi oficializada em meio à crise diplomática entre Brasil e Paraguai. Na quarta-feira (29), o Congresso paraguaio aprovou uma moção de repúdio ao pronunciamento do presidente Lula durante a cerimônia de retomada das atividades da Avibras, quando, ao relembrar o conflito, afirmou que o "Paraguai resolveu invadir o Brasil".

No mesmo dia em que o decreto foi assinado, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, para entregar uma nota de repúdio com a manifestação do Legislativo do país. O documento também exige esclarecimentos sobre a fala do presidente e reivindica a devolução dos chamados "troféus de guerra" levados pelo Exército Brasileiro ao fim do conflito.

Brigadeiro Sampaio foi um dos mais importantes generais brasileiros na Guerra do Paraguai.Brás Inácio de Vasconcelos/Wikimedia Commons

Marechal Sampaio

Nascido em 1810, Antônio de Sampaio ingressou no Exército aos 20 anos e participou de alguns dos principais conflitos do período imperial, entre eles a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, e a Guerra contra Oribe e Rosas, travada no Uruguai e na Argentina.

Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, foi promovido a general-brigadeiro, patente correspondente ao atual posto de general de brigada. Na mesma ocasião, assumiu o comando da recém-criada Divisão Encouraçada, uma das principais unidades do Exército brasileiro na campanha.

No ano seguinte, participou da Batalha de Tuiuti, considerada a mais sangrenta da história da América do Sul. Durante o confronto, foi atingido três vezes por estilhaços de granada e ficou gravemente ferido. Morreu 43 dias depois, a bordo de um navio-hospital. Em reconhecimento à sua atuação militar, foi consagrado patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro.

Divergências históricas

A crise diplomática com o Paraguai decorre das divergências históricas entre os dois países a respeito da cronologia e responsabilidades do conflito. O discurso de Lula reforçou a versão brasileira, na qual a guerra foi provocada pelo governo paraguaio.

A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito internacional da história da América do Sul. Travada entre 1864 e 1870, permanece como um dos episódios mais traumáticos da memória da população paraguaia.

O confronto, travado entre 1864 e 1870, envolveu disputas políticas e territoriais pelo controle da Bacia do Rio da Prata. A guerra deixou cerca de 100 mil brasileiros mortos. Do lado paraguaio, estimativas apontam aproximadamente 300 mil mortes, com um impacto demográfico devastador, especialmente sobre a população masculina do país.

Para a linha tradicional da historiografia brasileira, o confronto começou em novembro de 1864, quando forças paraguaias capturaram o presidente da província de Mato Grosso e atacaram a província fronteiriça. Nessa interpretação, a responsabilidade inicial recai sobre o Paraguai, que dava andamento a uma política externa expansionista.

Na visão paraguaia, a guerra começou antes, em agosto de 1864, com a intervenção militar do Brasil no Uruguai. O governo paraguaio apoiava um dos grupos envolvidos na guerra civil uruguaia e considerou a entrada brasileira uma ameaça ao equilíbrio regional e uma imposição imperialista.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos