O presidente Lula oficializou neste domingo (2) sua candidatura à reeleição em convenção nacional realizada em São Paulo. Antes de iniciar seu discurso, porém, o petista protagonizou o principal gesto político do evento: interrompeu o roteiro previsto para chamar ao palco a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, após afirmar que o principal ato da campanha não poderia terminar sem uma mulher entre os oradores.
A iniciativa deu protagonismo à primeira-dama na abertura da campanha e reforçou a presença das mulheres na estratégia petista para a disputa eleitoral. O movimento ocorre em um momento em que pesquisas de opinião apontam maior rejeição do eleitorado feminino ao principal adversário de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL), grupo considerado estratégico para a campanha.
"Agora, antes de eu falar, eu quero fazer uma crítica a mim, porque não é possível que a gente tenha esquecido do principal evento da nossa campanha sem colocar uma mulher para falar", afirmou Lula antes de entregar o microfone a Janja.
Convidada de improviso, a primeira-dama direcionou sua fala às mulheres e afirmou que elas terão papel decisivo na disputa presidencial.
"Somos nós, mulheres, que levantamos fazendo a marmita do nosso marido, levando nossos filhos para a escola, trabalhando de sol a sol, pegando transporte coletivo, chegando em casa 10 horas da noite, limpando a casa. Somos nós, mulheres, que vamos eleger você novamente", declarou.
Janja também destacou ações do governo voltadas às mulheres e disse ter orgulho de ver o combate à violência de gênero incorporado à agenda internacional do presidente.
Pesquisas eleitorais indicam preferência do eleitorado feminino por Lula em detrimento de Flávio Bolsonaro (PL). O senador fluminense também tem feito acenos às mulheres, buscando uma candidatura para a vice-presidência.
Democracia, soberania e críticas ao bolsonarismo
Embora o protagonismo de Janja tenha marcado o início do discurso presidencial, a convenção foi costurada por uma mesma linha política: a defesa da democracia, da soberania nacional e do sistema eleitoral, acompanhada de críticas ao bolsonarismo.
Primeiro a falar, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a eleição representará uma escolha entre democracia e autoritarismo e disse que um novo governo Lula defenderá a soberania brasileira diante de pressões externas.
Na sequência, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, comparou Lula a um "marujo confiável" em um cenário internacional marcado por guerras e pelo avanço da extrema direita. Também responsabilizou o governo Jair Bolsonaro por desorganizar áreas como saúde, educação e economia.
Confirmado mais uma vez como candidato a vice-presidente, Geraldo Alckmin defendeu as urnas eletrônicas e ironizou os questionamentos feitos ao sistema eleitoral.
"Urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano", afirmou, em referência indireta à aproximação do candidato Flávio Bolsonaro com o presidente argentino Javier Milei e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Também presente à convenção, a candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) afirmou que "golpista é sempre golpista" e, sem citar nomes, fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro. Ela também disse que caberá às mulheres "colocar a quarta estrela no peito de Lula".
Realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, a convenção confirmou Lula como candidato à Presidência pela oitava vez e repetiu a chapa vencedora de 2022, com Geraldo Alckmin na vice-presidência.