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Trégua com Michelle ajudou Flávio a reagir, diz diretor da Quaest

Felipe Nunes também associa o movimento à reação contra decisão do STF que barrou visitas a Jair Bolsonaro e à reorganização da direita.

5/8/2026
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A recuperação de Flávio Bolsonaro (PL) na nova rodada da pesquisa Genial/Quaest está associada à reorganização da direita e à retomada do apoio do eleitor antipetista, segundo o diretor do instituto, Felipe Nunes.

Flávio passou de 28% para 30% no primeiro turno e de 37% para 39% em uma eventual disputa direta com o presidente Lula (PT). O petista oscilou de 40% para 39% no primeiro turno e de 45% para 44% no segundo, conforme levantamento divulgado nesta quarta-feira (5).

Michelle aceitou pedido público de desculpas de Flávio, após acusá-lo de desrespeitá-la.redes sociais

O potencial de voto do senador subiu de 38% para 41%, sua rejeição caiu de 57% para 54% e a parcela de seus eleitores que considera a escolha definitiva passou de 62% para 68%. "Recuperou intenção de voto, aceitabilidade e convicção", afirmou Nunes. Os dados foram analisados pelo cientista político e pesquisador em uma série de publicações no X.

No segundo turno, o apoio a Flávio avançou de 74% para 81% na direita não bolsonarista e de 91% para 95% entre os bolsonaristas. "Minha leitura é que a direita se reorganiza e o eleitor antipetista voltou a considerar Flávio", avaliou o diretor da Quaest.

Reconciliação com Michelle

Na avaliação de Nunes, o primeiro componente desse movimento foi a reconciliação pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro. Para 59% dos entrevistados, as pazes foram positivas. O percentual chega a 88% na direita não bolsonarista e a 90% entre os bolsonaristas.

Também aumentou a percepção de que o apoio de Michelle pode elevar as chances eleitorais de Flávio: o índice passou de 38% para 46%. Entre os bolsonaristas, saltou de 45% para 79%; na direita não bolsonarista, de 53% para 70%.

O segundo fator foi a reação à decisão do STF que proibiu Flávio de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida é considerada errada por 52% e correta por 41%. A rejeição à decisão chega a 83% na direita não bolsonarista e a 92% entre os bolsonaristas.

"A reconciliação reduziu a divisão e a restrição judicial reativou a percepção de exagero institucional", resumiu Nunes. Para ele, esses fatores explicam melhor o avanço do senador do que suas declarações sobre as urnas eletrônicas. As falas diminuem a chance de voto em Flávio para 26% e aumentam para 15%.

Menor impulso para Lula

Ao mesmo tempo, edidas que vinham beneficiando Lula perderam força marginal, segundo Nunes. A avaliação positiva do Desenrola 2.0 caiu de 55% para 47%, enquanto os que afirmam ter sido diretamente beneficiados passaram de 12% para 10%.

A isenção do Imposto de Renda apresentou movimento semelhante: os beneficiados recuaram de 32% para 30%, e aumentou de 39% para 46% a parcela que não percebeu diferença na renda.

Nunes também aponta desgaste na resposta do governo às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Agora, 43% avaliam que Lula reagiu mal, e 38%, bem. A vantagem do presidente sobre Flávio na percepção de quem melhor defende o Brasil caiu de 17 para oito pontos.

Apesar disso, a aprovação do governo permaneceu estável em 48%, ante 47% de desaprovação.

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