A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surpreendeu nesta quarta-feira (5). Durante a pré-campanha, o senador manifestou preferência por uma mulher e considerou nomes como Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Bia Kicis (PL-DF). Sem conseguir fechar uma aliança com PP, União Brasil e Republicanos, que optaram pela neutralidade, Flávio recorreu a um integrante do próprio partido e formou uma chapa puro-sangue do PL.
Aos 55 anos, Gaspar é advogado e cumpre o primeiro mandato como deputado federal. Antes de chegar ao Congresso, construiu uma carreira ligada ao Ministério Público e à segurança pública, áreas que se tornaram as principais marcas de sua atuação política.
Do MP ao rompimento com os Calheiros
Gaspar ingressou no Ministério Público de Alagoas em 1996 e permaneceu na instituição por 24 anos. Foi promotor de Justiça, coordenou o grupo estadual de combate às organizações criminosas e ocupou duas vezes o cargo de procurador-geral de Justiça. Também comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em dois períodos, durante o governo de Renan Filho (MDB).
Ligado ao grupo político da família Calheiros, filiou-se ao MDB e, em 2020, deixou definitivamente o Ministério Público para disputar a Prefeitura de Maceió. Foi o candidato mais votado no primeiro turno, mas acabou derrotado por JHC no segundo. No ano seguinte, voltou ao governo estadual como secretário de Segurança.
O rompimento com o antigo grupo político ocorreu durante as articulações para as eleições de 2022. Gaspar se opôs à aliança que resultou na escolha de Paulo Dantas para o governo de Alagoas, deixou o MDB e se filiou ao União Brasil. Naquele ano, foi eleito deputado federal com pouco mais de 102 mil votos.
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Projeção e polêmicas na CPMI do INSS
Na Câmara, Gaspar se aproximou do bolsonarismo e passou a atuar na oposição ao governo Lula. Ganhou projeção nacional em agosto de 2025, quando foi escolhido relator da CPMI do INSS, instalada para investigar descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
A indicação ocorreu depois que o senador Carlos Viana (Podemos-MG), apoiado pela oposição, derrotou Omar Aziz (PSD-AM) na disputa pela presidência do colegiado. Ao assumir, Viana designou Gaspar para a relatoria, contrariando o acordo articulado pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, que previa Aziz na presidência e Ricardo Ayres (Republicanos-TO) como relator.
Após sete meses de trabalho, Gaspar apresentou um relatório de mais de 4 mil páginas e propôs o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. O parecer foi rejeitado por 19 votos a 12, e a CPMI encerrou suas atividades sem aprovar um relatório final.
A sessão final também foi marcada por uma grave controvérsia. Durante a leitura do relatório, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) acusaram Gaspar de estupro de vulnerável e protocolaram uma notícia-crime na Polícia Federal. Gaspar negou a acusação, disse ter sido alvo de retaliação política e apresentou ações contra os dois parlamentares. Posteriormente, forneceu voluntariamente material genético para a realização de exame de DNA.
Da candidatura ao Senado à chapa presidencial
Em março de 2026, Gaspar deixou o União Brasil, filiou-se ao PL e assumiu o comando estadual da legenda. Preparava-se para disputar uma vaga no Senado e havia sido confirmado como candidato pelo partido um dia antes de ser anunciado como vice.
A escolha muda os planos do deputado e acrescenta à chapa de Flávio Bolsonaro um político nordestino identificado com as bandeiras da segurança pública e do combate à corrupção. Também leva para a campanha as disputas acumuladas desde o rompimento com os Calheiros e as controvérsias da CPMI do INSS.
A composição confirma ainda uma mudança de estratégia: depois de buscar uma mulher de outro partido, em meio à dificuldade de ampliar o apoio entre as eleitoras, Flávio inicia a campanha com um homem do próprio PL como companheiro de chapa. Pesquisas recentes apontaram que a rejeição ao senador é maior entre as mulheres do que entre os homens.