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Moraes, Dino, Gilmar e Zanin barram penduricalhos em sete tribunais

Cortes do DF e de seis Estados têm 72 horas para identificar beneficiados e deverão cobrar devolução de valores acima do limite fixado pelo Supremo.

12/8/2026
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O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão imediata de verbas indenizatórias pagas de forma irregular a magistrados de sete tribunais de Justiça. A medida alcança as cortes de Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e Distrito Federal.

As decisões foram assinadas pelos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes. Segundo os magistrados, os tribunais mantiveram pagamentos em desacordo com os limites estabelecidos pelo Supremo.

Ministros do Supremo apontaram pagamentos "exorbitantes" para magistrados no DF e em outros seis Estados.Antonio Augusto/STF

Os presidentes das cortes terão 72 horas para identificar magistrados ativos, aposentados e pensionistas beneficiados por pagamentos irregulares. Também deverão determinar a devolução dos valores que ultrapassaram o limite global de 70% do subsídio. Em cinco dias, terão de comprovar ao STF a suspensão dos pagamentos e as devoluções.

O Supremo estabeleceu em março que as verbas indenizatórias podem chegar, no máximo, a 70% do subsídio: até 35% referentes à valorização por tempo de antiguidade e outros 35% destinados às demais indenizações autorizadas.

A nova ordem suspende tanto parcelas autorizadas que ultrapassem esses limites quanto benefícios não previstos expressamente pelo STF.

Benefícios fora das regras

Entre as rubricas consideradas irregulares estão auxílio pré-escolar, licença compensatória, auxílio-mudança, auxílio-adoção e diferentes gratificações por funções administrativas, acúmulo de atividades e cumprimento de metas.

Os ministros também pontaram pagamentos considerados "exorbitantes". No Maranhão, um desembargador aposentado teve autorizadas verbas rescisórias de R$ 3,265 milhões, divididas em 12 parcelas. Em abril, 300 magistrados do Estado receberam mais de R$ 100 mil.

No Rio de Janeiro, 589 magistrados receberam mais de R$ 100 mil em abril, sendo que pelo menos cinco superaram R$ 200 mil. No Distrito Federal, uma magistrada recebeu R$ 490,6 mil em maio. Em Goiás, nove magistrados receberam mais de R$ 200 mil em abril.

No Rio Grande do Norte, um magistrado aposentado recebeu R$ 554,8 mil em abril e R$ 544,8 mil em maio. No Paraná, 73 magistrados receberam mais de R$ 100 mil em abril. Em Rondônia, aproximadamente 90% dos magistrados superaram esse valor no mesmo mês.

AGU também terá de se explicar

As decisões também exigem informações da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre possíveis irregularidades no pagamento de honorários de sucumbência.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, terá 72 horas para encaminhar as folhas de pagamento e identificar eventuais integrantes do órgão beneficiados por valores fora das regras estabelecidas pelo Supremo. Nesse caso, porém, não houve determinação de devolução dos recursos.

O corregedor nacional de Justiça também será comunicado para fiscalizar o cumprimento das medidas e apurar eventual responsabilidade administrativa e disciplinar dos presidentes dos tribunais pelos pagamentos feitos em desacordo com as decisões do STF.

Veja as decisões dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes.

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