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TSE marca para a próxima terça julgamento de vídeo de Bolsonaro com IA

Julgamento deve discutir se a peça criada com inteligência artificial pode ser enquadrada como deepfake.

28/8/2026
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para terça-feira (1º) o julgamento de uma ação apresentada pelo PT contra um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial. A sessão está prevista para começar às 19h.

O conteúdo foi exibido durante a convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Na gravação, uma versão de Jair Bolsonaro criada com IA manifesta apoio ao filho na disputa pelo Planalto.

No vídeo, a representação artificial reproduz a imagem e a voz do ex-presidente. Em um dos trechos, afirma estar "preso e calado por uma decisão injusta".

O PT questionou a divulgação do material e apontou suposto uso irregular de inteligência artificial e propaganda eleitoral antecipada.

Discussão sobre deepfake

Além de analisar o vídeo, o julgamento pode servir para o TSE avançar na definição dos limites para o uso de inteligência artificial durante as eleições de 2026.

Um dos pontos em discussão é quando uma produção artificial deve ser classificada como deepfake, prática proibida pelas regras eleitorais. Na semana passada, ministros do tribunal discutiram internamente o tema após a repercussão do vídeo, mas não chegaram a um consenso.

O presidente da Corte, ministro Nunes Marques, defendeu a possibilidade de admitir conteúdos produzidos por uma espécie de "IA do bem", quando não utilizados de forma ofensiva ou para campanha negativa.

A interpretação encontrou resistência entre integrantes do tribunal.

Nesta semana, o ministro André Mendonça propôs um critério para diferenciar conteúdos sintéticos de deepfakes.

Pela tese, o fator determinante seria o grau de realismo da peça e sua capacidade de fazer o eleitor acreditar que está diante de um registro verdadeiro.

Nesse entendimento, animações, memes, caricaturas e outras representações cujo caráter artificial seja evidente poderiam ficar fora da classificação de deepfake. Mendonça sugeriu que a tese seja analisada pelo plenário para orientar casos semelhantes.

Regras para inteligência artificial

As normas aprovadas pelo TSE para as eleições de 2026 proíbem o uso de deepfakes para prejudicar ou favorecer candidaturas por meio da criação de situações falsas ou manipuladas.

A Corte também estabeleceu outras regras para o emprego de inteligência artificial na campanha.

O julgamento ocorre pouco mais de um mês antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O segundo turno, caso necessário nas disputas para presidente e governador, será realizado em 25 de outubro.

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