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PT aciona Conselho de Ética contra Flávio por caso Dark Horse

Partido pede perda do mandato do senador e candidato a presidente e aponta contradições sobre repasses de Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro.

3/9/2026
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O PT protocolou no Conselho de Ética do Senado uma representação contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por causa do financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O partido pede a perda do mandato por quebra de decoro parlamentar.

Na representação e em nota assinada pelo líder da bancada, Camilo Santana (PT-CE), a sigla aponta contradições entre declarações de Flávio e informações reveladas sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os recursos destinados ao filme. "O Senado Federal não pode ignorar fatos dessa gravidade. Quem ocupa um mandato concedido pelo povo tem o dever de agir com verdade, responsabilidade e respeito às instituições", afirma Camilo.

Flávio alega que não recebeu vantagem pessoal nem ofereceu contrapartidas a Vorcaro em troca de financiamento do filme sobre o pai.Julia Martins/RasPress/Folhapress

Repasse depois da data indicada

Flávio negociou com Vorcaro um financiamento de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para o Dark Horse. Quando o caso veio a público, documentos indicavam que ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.

O candidato a presidente alegou que buscou patrocínio privado para um filme privado sobre o próprio pai, sem dinheiro público ou recursos da Lei Rouanet. Também afirmou que não recebeu vantagem pessoal nem ofereceu contrapartidas a Vorcaro em troca do financiamento.

O novo questionamento surgiu após a revelação de outro repasse de US$ 1,6 milhão, feito em setembro de 2025. Com o pagamento, os aportes de Vorcaro conhecidos até agora chegam a US$ 12,3 milhões.

A transferência ocorreu meses depois da data que Flávio havia indicado como a do último pagamento. Após a divulgação dos áudios em que cobrava recursos de Vorcaro, o senador afirmou que os repasses haviam terminado em maio de 2025. Nesta semana, questionado sobre o novo pagamento, direcionou as explicações à produtora do filme.

O PT sustenta que a diferença entre as declarações do senador e os registros financeiros justifica a apuração pelo Conselho de Ética.

Conselho sem deliberar desde 2024

A representação chega a um Conselho de Ética sem deliberações desde julho de 2024 e sem reunião prevista.

A iniciativa integra a ofensiva do PT em torno do caso Dark Horse. Governistas também defendem a retirada do sigilo das investigações e cobram apuração de questionamentos envolvendo o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O partido, porém, descarta apoiar pedidos de impeachment do ministro.

Leia a íntegra da nota assinada por Camilo Santana:

"O Partido dos Trabalhadores protocolou, nesta quarta-feira (2), representação no Conselho de Ética do Senado Federal contra o senador Flávio Bolsonaro, diante das graves contradições envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro e o financiamento milionário do filme Dark Horse.

Não estamos diante de uma divergência política ou de um episódio menor. As informações reveladas pela imprensa confrontam diretamente as versões apresentadas pelo senador. Negativas públicas foram desmentidas por mensagens, áudios e registros financeiros. Promessas de transparência deram lugar ao silêncio e à recusa em apresentar documentos essenciais.

O Senado Federal não pode ignorar fatos dessa gravidade. Quem ocupa um mandato concedido pelo povo tem o dever de agir com verdade, responsabilidade e respeito às instituições. A imunidade parlamentar protege a liberdade de expressão e o exercício do mandato, mas não pode servir de escudo para enganar a sociedade.

A representação assegura ao senador Flávio Bolsonaro o pleno direito de defesa. Mas também exige que o Conselho de Ética cumpra seu papel, apure os fatos com independência e dê ao país uma resposta à altura da responsabilidade desta Casa.

A confiança da população no Parlamento depende da coragem de suas instituições para investigar e responsabilizar seus próprios integrantes. O silêncio, diante de tantas contradições, significaria aceitar que a mentira seja tratada como prática normal da vida pública.

O Senado deve respeito ao povo brasileiro. E a verdade não pode ser negociada.

Senador Camilo Santana

Líder do PT no Senado Federal"

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