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Rogério Correia pede inquérito contra Nikolas por laudo falso da PF

Deputado pede que PF identifique responsáveis pela produção e circulação de documento falso atribuído à corporação.

4/9/2026
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O deputado Rogério Correia (PT-MG) pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar a produção e a divulgação de um documento falso atribuído à corporação e compartilhado pelos perfis oficiais do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O arquivo, que teve a autoria negada pela própria PF, simulava uma página de relatório da Operação Compliance Zero e apresentava uma conclusão inexistente da corporação favorável a Nikolas no caso das conversas com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O conteúdo não corresponde ao relatório verdadeiro produzido a partir da análise do celular do banqueiro. A comparação entre os arquivos apontou incompatibilidades de conteúdo, cronologia, estrutura e identificação documental, além de diferenças entre as informações apresentadas na imagem e aquelas registradas no documento oficial.

Correia argumenta que a falsificação também merece apuração por atribuir à Polícia Federal uma manifestação inexistente sobre uma investigação em andamento no STF. Para o deputado, a divulgação de um pronunciamento apócrifo de um órgão de Estado "interfere na percepção pública sobre a atuação da autoridade policial e, em alguma medida, sobre o próprio andamento da apuração".

Documento falsificado dizia não haver necessidade de investigação sobre Nikolas no caso Master. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Divulgação do documento

O documento começou a circular nas redes sociais na quinta-feira (3), poucas horas após a divulgação, pelo portal ICL, de conversas entre Nikolas e Vorcaro. O parlamentar não publicou diretamente o arquivo, mas compartilhou postagens de terceiros que continham o material no X e em suas listas de transmissão.

Correia ressalva que o compartilhamento não comprova que Nikolas tenha produzido ou encomendado a peça, nem que soubesse da falsidade do conteúdo no momento da divulgação. "Esse fato, todavia, não demonstra que o parlamentar tenha criado ou encomendado a peça, nem que conhecesse a sua inautenticidade no momento da divulgação", afirma. Segundo ele, o episódio "deverá ser apurado no curso da investigação".

Conversas com Vorcaro

A controvérsia decorre do vazamento de mensagens e áudios trocados entre Nikolas e Vorcaro encontrados no material apreendido pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master.

Entre os diálogos revelados estão tratativas nas quais o parlamentar pede ao banqueiro que receba o ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria, que buscava resolver com a instituição financeira questões relacionadas à conclusão da compra de um ativo minerário.

Após a divulgação das conversas, Nikolas rebateu acusações de proximidade com Vorcaro e contestou as interpretações dadas aos diálogos. O deputado negou manter relação próxima com o controlador do Banco Master e afirmou nunca ter recebido recursos do empresário.

Pedidos à PF

Correia pede que a Polícia Federal verifique a autenticidade do arquivo, identifique os responsáveis pela produção e pela disseminação da falsificação e preserve os registros digitais das publicações. A solicitação inclui dados mantidos pelo Instagram e pelo X, além da realização de perícia no documento e da identificação das primeiras cópias que circularam nas plataformas.

O petista também solicita que sejam ouvidos os responsáveis pelos perfis envolvidos na divulgação, além de Nikolas, e que seja investigada eventual participação de servidor ou ex-servidor da Polícia Federal na produção ou circulação do material. Correia pede ainda que uma cópia seja encaminhada à Procuradoria-Geral da República para análise específica da conduta do parlamentar.

Caso a falsidade seja confirmada, o deputado sustenta que a produção do arquivo pode ser investigada sob as hipóteses de falsificação de documento público e uso indevido de símbolos da Administração Pública. A divulgação por pessoas que tivessem conhecimento da fraude também poderá ser analisada como possível uso de documento falso.

Como o episódio ocorreu durante o período eleitoral, Correia pede ainda o envio do caso ao procurador-geral Eleitoral para análise de eventual crime de divulgação de informação sabidamente inverídica capaz de influenciar o eleitorado.

Veja a íntegra do pedido.

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