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CÂMARA DOS DEPUTADOS

Rogério Correia pede inquérito contra Nikolas por laudo falso da PF

Deputado pede que PF identifique responsáveis pela produção e circulação de documento falso atribuído à corporação.

Congresso em Foco

4/9/2026 12:23

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O deputado Rogério Correia (PT-MG) pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar a produção e a divulgação de um documento falso atribuído à corporação e compartilhado pelos perfis oficiais do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O arquivo, que teve a autoria negada pela própria PF, simulava uma página de relatório da Operação Compliance Zero e apresentava uma conclusão inexistente da corporação favorável a Nikolas no caso das conversas com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O conteúdo não corresponde ao relatório verdadeiro produzido a partir da análise do celular do banqueiro. A comparação entre os arquivos apontou incompatibilidades de conteúdo, cronologia, estrutura e identificação documental, além de diferenças entre as informações apresentadas na imagem e aquelas registradas no documento oficial.

Correia argumenta que a falsificação também merece apuração por atribuir à Polícia Federal uma manifestação inexistente sobre uma investigação em andamento no STF. Para o deputado, a divulgação de um pronunciamento apócrifo de um órgão de Estado "interfere na percepção pública sobre a atuação da autoridade policial e, em alguma medida, sobre o próprio andamento da apuração".

Documento falsificado dizia não haver necessidade de investigação sobre Nikolas no caso Master.

Documento falsificado dizia não haver necessidade de investigação sobre Nikolas no caso Master. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Divulgação do documento

O documento começou a circular nas redes sociais na quinta-feira (3), poucas horas após a divulgação, pelo portal ICL, de conversas entre Nikolas e Vorcaro. O parlamentar não publicou diretamente o arquivo, mas compartilhou postagens de terceiros que continham o material no X e em suas listas de transmissão.

Correia ressalva que o compartilhamento não comprova que Nikolas tenha produzido ou encomendado a peça, nem que soubesse da falsidade do conteúdo no momento da divulgação. "Esse fato, todavia, não demonstra que o parlamentar tenha criado ou encomendado a peça, nem que conhecesse a sua inautenticidade no momento da divulgação", afirma. Segundo ele, o episódio "deverá ser apurado no curso da investigação".

Conversas com Vorcaro

A controvérsia decorre do vazamento de mensagens e áudios trocados entre Nikolas e Vorcaro encontrados no material apreendido pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master.

Entre os diálogos revelados estão tratativas nas quais o parlamentar pede ao banqueiro que receba o ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria, que buscava resolver com a instituição financeira questões relacionadas à conclusão da compra de um ativo minerário.

Após a divulgação das conversas, Nikolas rebateu acusações de proximidade com Vorcaro e contestou as interpretações dadas aos diálogos. O deputado negou manter relação próxima com o controlador do Banco Master e afirmou nunca ter recebido recursos do empresário.

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Pedidos à PF

Correia pede que a Polícia Federal verifique a autenticidade do arquivo, identifique os responsáveis pela produção e pela disseminação da falsificação e preserve os registros digitais das publicações. A solicitação inclui dados mantidos pelo Instagram e pelo X, além da realização de perícia no documento e da identificação das primeiras cópias que circularam nas plataformas.

O petista também solicita que sejam ouvidos os responsáveis pelos perfis envolvidos na divulgação, além de Nikolas, e que seja investigada eventual participação de servidor ou ex-servidor da Polícia Federal na produção ou circulação do material. Correia pede ainda que uma cópia seja encaminhada à Procuradoria-Geral da República para análise específica da conduta do parlamentar.

Caso a falsidade seja confirmada, o deputado sustenta que a produção do arquivo pode ser investigada sob as hipóteses de falsificação de documento público e uso indevido de símbolos da Administração Pública. A divulgação por pessoas que tivessem conhecimento da fraude também poderá ser analisada como possível uso de documento falso.

Como o episódio ocorreu durante o período eleitoral, Correia pede ainda o envio do caso ao procurador-geral Eleitoral para análise de eventual crime de divulgação de informação sabidamente inverídica capaz de influenciar o eleitorado.

Veja a íntegra do pedido.

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Rogério Correia Nikolas Ferreira Banco Master Polícia Federal Daniel Vorcaro câmara dos deputados

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