A um mês do primeiro turno, as campanhas para a Câmara e o Senado já declararam cerca de R$ 2,2 bilhões em recursos recebidos. O dinheiro chegou a 4.997 candidaturas aos dois cargos, segundo levantamento com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pela plataforma 72Horas até esta quinta-feira (3). Na disputa pela Câmara, 4.785 dos 7.759 candidatos já declararam algum recebimento. Para o Senado, são 212 de 320. Somadas, as duas disputas concentram cerca de dois terços dos R$ 3,38 bilhões que já entraram nas campanhas para todos os cargos. Deputados e senadores serão escolhidos em 4 de outubro.
O Fundo Eleitoral é de longe a principal fonte de financiamento da campanha. Considerados todos os cargos, R$ 3,03 bilhões dos R$ 3,38 bilhões declarados até agora vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Outros R$ 108,9 milhões saíram do Fundo Partidário. Juntos, os dois fundos públicos respondem por 92,9% dos recursos registrados. Os demais 7% incluem doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos dos próprios candidatos.
O valor ainda deve aumentar. O Fundo Eleitoral dispõe de R$ 4,96 bilhões neste ano, dos quais R$ 3,03 bilhões, ou 61,06%, já aparecem nas prestações de contas das candidaturas.
PL e PT têm as maiores fatias do Fundo Eleitoral
O PL recebeu a maior cota do FEFC, R$ 881,7 milhões, equivalente a 17,8% do fundo. O PT vem em seguida, com R$ 615,4 milhões (12,4%), e o União Brasil ocupa a terceira posição, com R$ 526,2 milhões (10,6%). Juntas, as três legendas concentram 40,8% de todo o Fundo Eleitoral de 2026.
A divisão não é igual entre os partidos. Apenas 2% do fundo são repartidos igualmente entre as legendas registradas. Outros 35% levam em conta os votos obtidos para a Câmara na eleição anterior, 48% dependem do tamanho das bancadas na Câmara e 15%, das bancadas no Senado. Depois de receber sua cota, cada partido define os critérios internos de distribuição entre suas candidaturas.
O Fundo Partidário funciona de maneira diferente. É uma verba pública permanente, usada para manter as legendas e que também pode financiar campanhas. Por isso, não há uma cota eleitoral fechada de R$ 4,96 bilhões nos mesmos moldes do FEFC.
Quem mais recebeu
Entre os candidatos ao Senado, Simone Tebet (PSB-SP) lidera o volume declarado, com R$ 6,583 milhões, dos quais R$ 6,5 milhões vieram do Fundo Eleitoral. Em seguida aparecem André do Prado (PL-SP), com R$ 6,05 milhões, e Domingos Sávio (PL-MG), com R$ 5,42 milhões. Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL-RJ, receberam R$ 4,75 milhões cada.
Na disputa para deputado federal, o maior volume é de Alfredo Nascimento (PL-AM), com R$ 3,02 milhões. Depois vêm Elmar Nascimento (União-BA), com R$ 2,98 milhões; Leandre Dal Ponte (PSD-PR), com R$ 2,85 milhões; Paulo Filho da Fundação (PSD-MG), com R$ 2,78 milhões; e Cabo Gilberto Silva (PL-PB), com R$ 2,61 milhões.
Limites por cargo
A diferença entre as duas eleições também aparece no valor típico das campanhas. Entre quem já declarou receitas, a mediana é de R$ 100 mil para deputado federal e de R$ 1,05 milhão para senador.
Cada candidato a deputado federal pode gastar até R$ 3.176.573 no primeiro turno. Para o Senado, o teto varia conforme o Estado: em São Paulo, por exemplo, chega a R$ 7.115.522; no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, é de R$ 5.336.642. Os limites de 2026 mantêm os valores adotados em 2022.
O limite vale para gastos, não para arrecadação. Uma candidatura pode receber mais que o teto, desde que não utilize em despesas valor superior ao permitido.
Cotas para mulheres, negros e indígenas
Os partidos também não têm liberdade total para distribuir os recursos públicos. Nas candidaturas de mulheres, a parcela do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário deve acompanhar a proporção de candidatas de cada legenda e não pode ser inferior a 30%. Para pessoas pretas e pardas, o piso é de 30%. A legislação de 2026 prevê ainda destinação proporcional para candidaturas indígenas.
Na base definida pelo TSE especificamente para calcular essas cotas, as mulheres correspondem a 34,85% das candidaturas, e pessoas pretas e pardas, a 49,64%. Os percentuais consideram todos os cargos e não apenas as eleições para o Congresso.
Até 3 de setembro, também considerando todos os cargos, as mulheres haviam recebido 32,41% do Fundo Eleitoral já declarado. O dado ainda é parcial: os partidos têm até 8 de setembro para distribuir os valores mínimos destinados a mulheres, pessoas negras e indígenas. Portanto, os números atuais não permitem concluir, por si só, que uma legenda descumpriu as cotas.
Prazo para declarar recurso
Os dados são originários do DivulgaCandContas, sistema oficial do TSE, e compilados pelo 72Horas, monitor independente do financiamento eleitoral. O nome da plataforma faz referência ao prazo legal de até 72 horas para que partidos e candidatos informem à Justiça Eleitoral os recursos financeiros recebidos para a campanha.
Por isso, repasses recentes podem aparecer apenas em atualizações posteriores. O retrato usado nesta reportagem considera os dados do TSE atualizados até 3 de setembro, às 11h09.
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