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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
9/6/2026 7:00
O fundo eleitoral de 2026 terá o mesmo tamanho do de 2022, mas a divisão dos recursos mudou de forma expressiva. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, saltou da sétima posição para o topo do ranking e receberá R$ 881,7 milhões para financiar suas campanhas neste ano. O valor equivale a 17,77% dos R$ 4,96 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Na prática, quase um em cada cinco reais do fundo eleitoral irá para o PL custear suas campanhas eleitorais.
O partido ficará à frente do PT, que terá R$ 615,4 milhões, ou 12,40% do total. Em seguida aparecem União Brasil, com R$ 526,2 milhões; PSD, com R$ 421 milhões; PP, com R$ 417,1 milhões; MDB, com R$ 400 milhões; Republicanos, com R$ 348,6 milhões; Podemos, com R$ 246 milhões; PDT, com R$ 169,3 milhões; e PSB, com R$ 152,3 milhões.
Concentração maior
Juntas, as dez siglas mais aquinhoadas ficarão com 84,2% de todo o fundo eleitoral de 2026. Em 2022, os dez maiores partidos concentravam 74,92% dos recursos. A diferença, de 9,28 pontos percentuais, mostra que o financiamento público de campanha ficou mais concentrado nas grandes legendas em apenas uma eleição.
O principal motor dessa concentração foi o desempenho do PL. Em 2022, o partido recebeu R$ 288,5 milhões, o equivalente a 5,82% do fundo. Quatro anos depois, terá R$ 881,7 milhões. O crescimento foi de R$ 593,1 milhões, ou 205,6%.
Mesmo bolo, nova divisão
O salto chama atenção porque o bolo não cresceu. O valor global do fundo eleitoral permaneceu em R$ 4,96 bilhões. Assim, o avanço de uma legenda representa, na prática, uma redistribuição interna dos recursos entre os partidos.
A explicação está nos critérios de partilha do FEFC. Apenas 2% do fundo são divididos igualmente entre todos os partidos registrados no TSE. Os outros 98% dependem de força eleitoral e parlamentar: 35% são distribuídos de acordo com os votos para deputado federal, 48% conforme o tamanho da bancada na Câmara e 15% de acordo com a bancada no Senado.
Bancada turbinada
Foi nesses critérios que o PL cresceu. O maior impacto veio da Câmara dos Deputados, que sozinha responde por quase metade da divisão do fundo. No cálculo de 2022, o partido tinha 37 deputados considerados para essa cota. Em 2026, passou a ter 98.
Com isso, a fatia do PL na cota da Câmara subiu de R$ 171,8 milhões para R$ 455 milhões. A parcela vinculada à votação para deputado federal também avançou, de R$ 94,8 milhões para R$ 285,6 milhões. No Senado, o partido saiu de 2 para 15 representantes considerados no cálculo, elevando sua cota de R$ 18,8 milhões para R$ 137,8 milhões.
Efeito PL
O crescimento do PL não é uma distorção técnica ou jurídica, já que decorre dos critérios previstos em lei. Mas produz um efeito político evidente: uma única legenda passou a concentrar uma fatia muito maior dos recursos públicos de campanha e redesenhou o equilíbrio do ranking.
O avanço do partido foi tão expressivo que supera o próprio aumento da concentração entre os dez maiores. A participação do PL no fundo subiu 11,95 pontos percentuais, enquanto a fatia acumulada pelas dez maiores legendas cresceu 9,28 pontos. Sem o PL, os outros nove partidos do topo em 2026 somariam 66,43% do fundo, menos do que os 69,10% acumulados pelos demais integrantes do top 10 de 2022.
Quem ganhou e quem perdeu
Além do PL, também ampliaram participação PT, Republicanos, PSD, PP e MDB. O PT passou de 10,15% para 12,40%; o Republicanos, de 4,88% para 7,03%; o PSD, de 7,05% para 8,49%; o PP, de 6,95% para 8,41%; e o MDB, de 7,32% para 8,06%.
Na outra ponta, o União Brasil perdeu a liderança que tinha em 2022, quando ficava com 15,77% do fundo, e caiu para 10,61% em 2026. O PSDB, que era o sexto maior beneficiário há quatro anos, saiu do grupo dos dez maiores. PSB e PDT também perderam participação.
O resultado mostra como o fundo eleitoral transforma votos e bancadas em vantagem financeira para a eleição seguinte. Partidos que crescem no Congresso passam a receber mais recursos; com mais dinheiro, chegam à disputa seguinte em posição mais forte para tentar manter ou ampliar sua presença parlamentar.
Quem paga a conta
O dinheiro do fundo eleitoral vem do Orçamento da União, e não de um imposto específico. Na prática, os recursos saem do caixa geral do governo federal, abastecido por impostos, contribuições e outras receitas públicas. Criado após a proibição das doações empresariais a campanhas, o FEFC é uma dotação orçamentária aprovada pelo Congresso em ano eleitoral e repassada aos partidos pela Justiça Eleitoral. Além dele, as legendas também podem usar recursos do Fundo Partidário para financiar campanhas, desde que sigam as regras de aplicação e prestação de contas.
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