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AGU cobra Google por vídeos de falsos médicos gerados por IA

Parte dos vídeos mirava idosos e usava falsa autoridade médica para promover produtos e serviços pagos.

9/9/2026
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A Advocacia-Geral da União (AGU) cobrou do Google providências contra vídeos no YouTube que usam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde.

A medida foi tomada após o Ministério da Saúde identificar 97 perfis que divulgavam informações falsas, incluindo promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica.

Na notificação, enviada na sexta-feira (4), a AGU deu prazo de 72 horas para que o YouTube tornasse indisponíveis os conteúdos especificamente apontados pelo Ministério da Saúde ou, conforme o caso, adotasse mecanismos de sinalização e contextualização que deixassem clara a natureza artificial dos personagens.

O levantamento foi feito pelo programa Saúde com Ciência e analisou conteúdos publicados entre 1º de janeiro e 10 de julho deste ano. As informações também foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina (CFM).

Segundo o Ministério da Saúde, os vídeos apresentam avatares de aparência humana como médicos ou especialistas e atribuem a eles qualificações profissionais inexistentes. Os conteúdos também recorrem a linguagem alarmista para dar credibilidade às informações apresentadas.

Parte dos perfis tem como alvo especialmente a população idosa. Em alguns casos, a suposta autoridade médica é usada para promover produtos, livros digitais e serviços pagos.

O Google informou nesta quarta-feira (9) que não comentaria o caso.

Conteúdos com falsos especialistas chegaram a acumular milhões de visualizações no YouTube.Magnific

Falsos médicos acumulam milhões de visualizações

A investigação encontrou uma rede de canais que utilizava tanto personagens totalmente fictícios quanto imagens clonadas de médicos reais para produzir os vídeos.

Os conteúdos voltados principalmente a idosos chegaram a superar 70 milhões de visualizações.

Os vídeos atribuíam aos falsos profissionais orientações sobre doenças e tratamentos e, em alguns casos, direcionavam os espectadores para a compra de produtos ou serviços.

De acordo com o Ministério da Saúde, conteúdos desse tipo podem levar à automedicação, ao uso de terapias sem eficácia comprovada, ao atraso na busca por atendimento profissional e até à interrupção ou substituição de tratamentos prescritos.

YouTube terá de avaliar outros conteúdos

Além das publicações especificamente identificadas pelo governo, a AGU pediu que o YouTube avalie os demais canais e vídeos apontados pelo Ministério da Saúde de acordo com as próprias regras da plataforma sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético.

A plataforma também foi cobrada a adotar medidas para impedir a disseminação de conteúdos semelhantes. A notificação foi elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD).

A ação faz parte de uma força-tarefa do governo federal contra a desinformação na área da saúde, com participação do Ministério da Saúde, da AGU e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Em outra frente, a AGU notificou recentemente o Telegram após o governo identificar 18 grupos e canais que comercializavam comprovantes e passaportes de vacinação falsificados. Segundo o Ministério da Saúde, a plataforma retirou os grupos e canais denunciados e excluiu a conta de um usuário identificado na apuração.

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