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Da Malhação ao Congresso: quem é Mario Frias, deputado alvo da PF

Ator ganhou projeção na TV, comandou a Secretaria de Cultura no governo Bolsonaro e virou deputado. Roteirista e produtor de "Dark Horse", ele é autor de emendas investigadas pela Polícia Federal.

10/9/2026
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Antes de chegar ao Congresso, em fevereiro de 2023, o deputado Mario Frias (PL-SP) ganhou projeção nacional como ator de Malhação. Depois, comandou a Secretaria Especial da Cultura no governo Jair Bolsonaro e se elegeu deputado federal. Nesta quinta-feira (10), foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Make Up, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos relacionados ao filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente.

Frias é roteirista e produtor executivo do longa e autor de emendas incluídas na investigação. Uma delas destinou R$ 1 milhão ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, produtora do filme, para um projeto de empreendedorismo em Pirassununga (SP). A PF apura se recursos públicos repassados a entidades foram desviados por meio de subcontratações irregulares e serviços sem comprovação.

Ex-galã de Malhação, Mario Frias foi secretário de Cultura no governo Bolsonaro antes de se eleger deputado por São Paulo.Arte Congresso em Foco

Uma frente da investigação, sob relatoria do ministro Flávio Dino, do STF, concentra-se no possível uso irregular de dinheiro público. Outra, relatada por André Mendonça, examina repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa.

Carioca, nascido em 1971, Frias interpretou em 1999 Rodrigo Chaves em Malhação. O personagem era namorado de Érica, vivida por Samara Felippo, e se envolvia com Tatiana, papel de Priscila Fantin.

Família de esportistas

Frias é sobrinho-neto de João Saldanha, jornalista, treinador da Seleção Brasileira e militante histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Conhecido como "João Sem Medo", Saldanha classificou o Brasil para a Copa de 1970, mas foi demitido meses antes do Mundial após conflitos com a cúpula esportiva e o governo do general Emílio Garrastazu Médici.

Também é sobrinho de Bebeto de Freitas, ex-treinador da seleção brasileira de vôlei e ex-dirigente de futebol, morto em 2018, e primo de Heleno de Freitas, um dos maiores ídolos da história do Botafogo.

Secretário de Cultura

Depois de vários trabalhos na televisão, aproximou-se do bolsonarismo e, em junho de 2020, assumiu a Secretaria Especial da Cultura, onde permaneceu até 2022.

Durante viagem à Bienal de Arquitetura de Veneza, ao ser perguntado sobre Lina Bo Bardi, autora do projeto do Masp e homenageada no evento, respondeu: "Eu não conheço nada, desculpa! Me ajude."

Em outra ocasião, afirmou que o historiador e ativista negro Jones Manoel, hoje candidato a deputado federal pelo Psol de Pernambuco, precisava de "um bom banho". Após a repercussão, disse que se referia às posições políticas do historiador, e não à sua aparência.

Do governo à Câmara

Frias deixou a Cultura em 2022 para disputar uma vaga na Câmara e se elegeu com 122.564 votos.

No Congresso, acumulou confrontos. Durante audiência da Comissão de Comunicação, discutiu com o jornalista Guga Noblat e bateu no celular usado por ele para registrar o episódio. Noblat disse ter sido chamado de "anão"; Frias afirmou que usara a expressão "anão moral" e reagira a provocações.

Neste ano, documentos de uma ex-funcionária colocaram o gabinete sob suspeita de "rachadinha". Extratos e comprovantes indicaram devoluções de parte do salário a pessoas ligadas ao parlamentar. A ex-assessora afirmou que Frias sabia dos repasses. O deputado não respondeu à reportagem que revelou o caso; seu chefe de gabinete disse acreditar que ele os desconhecia.

Briga com atriz

A guinada política também produziu um rompimento público com Samara Felippo, sua colega em Malhação. Em 2023, a atriz publicou uma foto do antigo elenco e cobriu o rosto do deputado com emojis de palhaço, jumento e fezes.

A disputa chegou à Justiça. Em outra postagem, Samara comparou a existência de fãs de Frias à de pessoas condenadas por crimes. O deputado pediu R$ 30 mil por danos morais e a retirada do conteúdo.

Briga com Nikolas

Nesta semana, o conflito chegou ao próprio PL. Nikolas Ferreira (PL-MG) cobrou explicações sobre o financiamento de Dark Horse e disse que Frias estava "muito calado" e "muito sumido". "Se não tem nada, mostra tudo, gente. É simples assim", afirmou.

Frias respondeu chamando Nikolas de "suposto aliado". Disse que mais de 25 mil documentos sobre os gastos haviam sido entregues às autoridades e que a equipe contratou perícia independente. Em seguida, atacou: "talvez o problema esteja no seu caráter".

Em maio, Frias mudou a versão sobre o financiamento do filme. Depois de afirmar que não havia "um único centavo" de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas a ele, passou, cerca de 20 horas depois, a dizer que os recursos tinham "origem formal".

A mudança ocorreu após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro por pagamentos atrasados relacionados ao longa. Segundo o The Intercept Brasil, o banqueiro teria destinado cerca de R$ 61 milhões à produção. Flávio confirmou que pediu dinheiro a Vorcaro, mas negou irregularidades.

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