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CASO DARK HORSE

Frias muda versão após negar dinheiro de Vorcaro em filme de Bolsonaro

Deputado havia dito que não havia "um centavo" do dono do Banco Master em Dark Horse, mas depois afirmou que se referia ao investidor formal e admitiu contrato com a Entre, ligada ao banqueiro.

Congresso em Foco

15/5/2026 | Atualizado às 9:51

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O deputado Mário Frias (PL-SP) mudou o tom das explicações sobre o financiamento de Dark Horse, filme do qual é produtor sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em duas notas divulgadas em um intervalo de cerca de 20 horas, o parlamentar passou de uma negativa categórica sobre a presença de dinheiro ligado ao Banco Master para uma justificativa baseada, segundo ele, na "origem formal" dos recursos.

Mário Frias é produtor do filme sobre Jair Bolsonaro.

Mário Frias é produtor do filme sobre Jair Bolsonaro.Ascom/Ministério do Turismo

A mudança ocorreu após a divulgação de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por pagamentos atrasados relacionados à produção do longa. Segundo reportagem do The Intercept Brasil citada no material, Vorcaro teria pago cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme. Flávio confirmou que pediu dinheiro ao banqueiro, mas negou irregularidades.

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Recuo após negativa

Na primeira manifestação, Frias afirmou que não havia "um único centavo" de Daniel Vorcaro em Dark Horse. A nota reproduzia a posição da produtora GOUP Entertainment, segundo a qual não haveria recursos provenientes de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas sob seu controle.

O deputado também sustentou que, mesmo se houvesse investimento do banqueiro, não haveria problema, por se tratar de uma relação privada, sem uso de dinheiro público.

Horas depois, porém, Frias divulgou uma segunda nota com formulação diferente. Nela, afirmou que "não há contradição material" entre as declarações, mas "uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento".

Segundo o parlamentar, quando disse que não havia dinheiro do Master no filme, referia-se ao fato de que Daniel Vorcaro e o Banco Master não eram signatários do contrato nem apareciam formalmente como investidores. A relação jurídica, afirmou, foi firmada com a Entre Investimentos e Participações, pessoa jurídica distinta.

Mudança no alcance da explicação

A diferença central entre as duas notas está no alcance da negativa. A primeira buscava afastar qualquer associação financeira entre o filme e Vorcaro ou o Banco Master. A segunda manteve a negativa formal, mas abriu uma distinção: o dinheiro não teria entrado por meio de Vorcaro ou do Master como partes contratuais, e sim por intermédio da Entre.

Essa mudança é relevante porque o material menciona relatórios de inteligência financeira do Coaf segundo os quais a Entre Investimentos teria recebido R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por suspeita de participação em fraudes relacionadas ao Banco Master. Ainda não há informação sobre quanto desse valor teria sido efetivamente destinado ao filme.

Flávio e Eduardo Bolsonaro

Outro ponto alterado entre as notas é a menção aos integrantes da família Bolsonaro. Na primeira manifestação, Frias afirmou que Flávio Bolsonaro não tinha sociedade no filme nem na produtora, limitando seu papel à cessão dos direitos de imagem da família.

Na segunda nota, o deputado ampliou a negativa e incluiu Eduardo Bolsonaro. Disse que nem Flávio nem Eduardo têm sociedade no filme, na produtora ou em qualquer estrutura ligada à obra.

Mudança de tom

Também houve mudança de tom. A primeira nota tinha caráter político e defensivo. Frias classificou Dark Horse como uma "superprodução em padrão hollywoodiano", afirmou que o filme é financiado 100% com capital privado e disse que a obra sofre ataques por motivações políticas e ideológicas.

O deputado ainda citou sua passagem pela Secretaria Especial da Cultura, ao afirmar que administrou bilhões da Lei Rouanet e saiu "com as mãos limpas".

Na segunda nota, esses trechos desapareceram. O texto é mais curto, jurídico e objetivo. Frias deixou de lado a crítica à imprensa, a defesa política da obra e a referência à Lei Rouanet. A nova manifestação concentrou-se em explicar a diferença entre o investidor formal do projeto e a origem econômica dos recursos.

Na prática, a primeira nota dizia que não havia dinheiro de Vorcaro ou do Banco Master no filme. A segunda passou a sustentar que Vorcaro e o Banco Master não aparecem formalmente como investidores ou signatários, mas que a relação jurídica do projeto foi feita com a Entre.

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