As eleições de 2026 colocaram integrantes de algumas das famílias políticas mais conhecidas do país em campos distintos. O caso mais explícito está no Ceará, onde Ciro e Cid Gomes, irmãos e ex-governadores, participam de lados opostos de uma das principais disputas estaduais.
Em Mato Grosso do Sul, os irmãos Fábio, Marquinhos e Nelsinho Trad também seguiram caminhos diferentes. Pernambuco oferece o movimento inverso: depois de anos de confrontos, a maior parte dos Arraes e Campos voltou ao mesmo palanque, embora a família ainda preserve divisões internas.
Ciro e Cid em lados opostos
No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) concorre ao governo contra Elmano de Freitas (PT), apoiado por Cid Gomes (PSB). O rompimento entre os irmãos, construído ao longo dos últimos anos, chegou diretamente às urnas. Cid decidiu disputar novamente o Senado depois de um apelo do presidente Lula, fortalecendo a chapa de Elmano contra o próprio irmão.
A divisão alcança também a eleição presidencial. Cid está no palanque de Lula. Ciro, por sua vez, evita vincular a campanha estadual a qualquer presidenciável e afirma não apoiar nem Lula nem Flávio Bolsonaro (PL). Apesar de receber apoio do PL no Ceará, sua campanha descartou agenda conjunta com Flávio.
Os três caminhos dos Trad
Em Mato Grosso do Sul, os três irmãos Trad também estão eleitoralmente separados. Fábio Trad, filiado ao PT, disputa o governo estadual com apoio de Lula. Marquinhos Trad, candidato a deputado federal pelo PV, integra a Federação Brasil da Esperança, formada com PT e PCdoB, e se aproximou do campo lulista.
Já Nelsinho Trad (PSD) desistiu da reeleição ao Senado para ocupar a primeira suplência de Reinaldo Azambuja (PL), adversário do campo de Fábio e Marquinhos no estado. Na disputa presidencial, porém, há uma ressalva: embora a chapa estadual de Azambuja esteja no campo político de Flávio Bolsonaro, Nelsinho participou da convenção que lançou Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência e declarou apoio ao candidato de seu partido.
Arraes e Campos voltam a se juntar
Em Pernambuco, a história é de reaproximação. João Campos (PSB) e Marília Arraes (PDT), primos que protagonizaram uma disputa dura pela Prefeitura do Recife em 2020, estão agora na mesma chapa: João concorre ao governo e Marília, ao Senado. Lula gravou inclusive pedido de votos para os dois e para Humberto Costa.
A reunificação, porém, não é completa. Maria Arraes (PSB), irmã de Marília e também integrante do grupo político de João Campos, mantém uma relação de distanciamento com a irmã. As duas não têm feito campanha juntas, embora Maria tenha citado Marília como integrante do mesmo campo político. Assim, a família que descende do ex-governador Miguel Arraes voltou majoritariamente ao mesmo projeto eleitoral, mas ainda convive com um racha dentro do próprio núcleo familiar.
As eleições de outubro vão marcar a estréia nas urnas de outro neto de Miguel Arraes, o ativista Daniel Valença (Psol), que concorre a um mandato de deputado estadual. Daniel é crítico da atuação política dos irmãos Campos, seus primos em segundo grau.