Pelo menos um em cada seis integrantes do Congresso tem algum parente nas urnas em 2026. Levantamento exclusivo do Congresso em Foco identificou 104 deputados e senadores com familiares candidatos nesta eleição: são 69 na Câmara e 35 no Senado. Juntos, eles representam 17,5% dos 594 congressistas.
A presença é proporcionalmente maior no Senado. Dos 81 integrantes da Casa, 35, ou 43%, têm ao menos um familiar concorrendo neste ano. Na Câmara, são 69 dos 513 deputados, ou 13,5%.
O levantamento considera vínculos de parentesco consanguíneo e por afinidade e inclui tanto candidatos a cargos eletivos quanto integrantes de chapas como suplentes de senador. Há filhos, pais, irmãos, cônjuges e outros familiares concorrendo a postos que vão das assembleias legislativas aos governos estaduais, além de Câmara e Senado.
As listas abaixo mostram, separadamente, quais deputados e senadores têm parentes candidatos em 2026, o cargo disputado por cada familiar e o grau de parentesco com o congressista.
SENADO
Na Câmara, o Congresso em Foco identificou 61 dos 513 deputados, cerca de 12%, com ao menos um parente candidato.
CÂMARA
De uma cadeira para outra
Não se trata apenas de parentes tentando entrar na política pela primeira vez. Vários dos candidatos já exercem mandatos, inclusive no próprio Congresso. Há famílias com mais de um integrante ocupando simultaneamente cadeiras em Brasília e voltando às urnas neste ano.
Também há congressistas que disputam outro cargo enquanto familiares concorrem à cadeira que eles ocupam hoje. É o caso do deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato ao Senado, enquanto o filho Alvinho Lira (PP-AL) concorre a deputado federal. A nova lista da Câmara também reúne outros casos de filhos, pais, irmãos e cônjuges tentando manter ou ampliar a representação política da família.
Em algumas famílias, dois parentes que já integram o Congresso participam simultaneamente da eleição. O senador Sergio Moro (PL-PR), por exemplo, disputa o governo do Paraná, enquanto a mulher, a deputada Rosângela Moro (PL-PR), concorre novamente à Câmara. Há ainda irmãos que ocupam ou buscam cadeiras semelhantes, como Jilmar e Nilto Tatto, ambos deputados federais por São Paulo e candidatos neste ano.
O movimento, portanto, não se resume à entrada de novos nomes na política. O levantamento reúne desde familiares em busca do primeiro mandato até grupos que já mantêm mais de um integrante no Legislativo e tentam conservar ou ampliar essa presença nas eleições de outubro.
As famílias mais numerosas
Os maiores núcleos ajudam a dimensionar essa presença. A família Bolsonaro reúne oito candidatos, incluindo dois parentes distantes, e a Macedo/Soares/Crivella, sete. Na sequência aparecem as famílias Barbalho e Arraes, com cinco candidatos cada. O Congresso em Foco detalhou esses e outros grupos em levantamento separado sobre as famílias mais numerosas nas eleições deste ano.
Os casos se espalham por diferentes partidos e regiões do país. Em algumas famílias, os parentes seguem juntos politicamente; em outras, estão em partidos ou palanques distintos — situações também detalhadas pelo Congresso em Foco em levantamento específico sobre familiares que se enfrentam ou estão em lados opostos nesta eleição.
Pelo menos 145 registros de parentesco
Somadas, as listas de deputados e senadores contêm 145 registros de parentesco. O número não representa 145 candidatos diferentes, porque uma mesma pessoa pode ser parente de mais de um parlamentar e há congressistas com vários familiares concorrendo.
Os vínculos encontrados incluem filhos, pais, irmãos, cônjuges, mães, sobrinhos, tios, primos, noras e cunhados. Os parentes disputam vagas de deputado estadual e federal, Senado e governos estaduais, além de integrarem chapas como primeiro ou segundo suplente de senador.
Como não há uma base pública que reúna as relações de parentesco entre candidatos e congressistas, o levantamento foi feito pelo Congresso em Foco a partir do cruzamento dos registros de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com informações disponíveis em publicações oficiais, reportagens, perfis públicos e outras fontes abertas na internet.
Por depender desse cruzamento e de informações que nem sempre constam dos registros eleitorais, a lista está sujeita a revisões e atualizações. O levantamento considera os casos identificados e confirmados até o fechamento da reportagem.