Nas eleições deste ano, o eleitor terá dois votos para o Senado. Serão duas vagas em disputa por Estado e no Distrito Federal, mas o histórico mostra que uma parcela crescente dessas possibilidades não se transforma em voto válido. Levantamento do Congresso em Foco, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que, nas três últimas eleições em que duas cadeiras ao Senado estavam em disputa, caiu a proporção dos votos possíveis que se converteram em votos válidos: 81,1% em 2002, 77,9% em 2010 e 73,1% em 2018.
Traduzindo: a cada 100 eleitores que compareceram às urnas, poderiam ser registrados até 200 votos válidos para senador. Na prática, esse grupo produziu cerca de 162 votos válidos em 2002, 156 em 2010 e 146 em 2018.
Diferena grande entre os Estados
A média nacional esconde contrastes importantes. Em 2018, o aproveitamento dos dois votos para senador variou de 61,7% em Pernambuco a 89,6% no Acre.
Em Pernambuco, cada grupo de 100 eleitores produziu, em média, 123 votos válidos para senador, de um máximo possível de 200. No Acre, foram cerca de 179.
O cálculo mede o aproveitamento das duas possibilidades de voto, não quantos eleitores efetivamente escolheram dois candidatos. Como os dados públicos do TSE são agregados e não vinculam as duas escolhas feitas pela mesma pessoa, não é possível saber quantos votaram em dois nomes, quantos escolheram apenas um ou quantos tiveram um dos votos anulado.
Dois votos, dois nomes
Em 2026, cada eleitor terá dois votos para senador. As escolhas podem ser de partidos diferentes, e os dois candidatos mais votados em cada Estado e no Distrito Federal serão eleitos para mandatos de oito anos, sem segundo turno. O TSE confirma que serão escolhidos 54 senadores neste ano, dois por unidade da Federação.
Também não existe voto de legenda para senador. É preciso digitar os três números de um candidato e, depois, fazer uma segunda escolha. Se o mesmo nome for repetido, o primeiro voto é mantido e o segundo é anulado, conforme a Resolução TSE nº 23.751/2026.
Cada candidatura ao Senado é formada pelo titular e por dois suplentes, que não recebem voto separado: ao escolher o candidato, o eleitor vota na chapa completa.
Como se formam as chapas
Governador e senadores disputam cargos majoritários, mas não formam uma única chapa entre si. O candidato a governador concorre com seu vice. Já cada candidatura ao Senado tem um titular e dois suplentes.
Não existe "candidato da vaga 1" e "candidato da vaga 2". As duas cadeiras ficam com os dois candidatos a senador mais votados em cada Estado ou no Distrito Federal.
O sistema de dois votos ocorre porque cada unidade da Federação tem três senadores e a renovação é alternada. Em uma eleição, escolhe-se uma vaga; na seguinte, duas. Em 2022, havia apenas uma cadeira em disputa por Estado. Em 2026, serão duas, como ocorreu em 2002, 2010 e 2018.
Como será a votação
Na urna, o eleitor fará seis escolhas: deputado federal, deputado estadual ou distrital, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente. Veja a ordem definida pelo TSE.
A Justiça Eleitoral recomenda levar uma "colinha" de papel com os números dos candidatos. A orientação é especialmente útil neste ano porque o eleitor terá de fazer duas escolhas consecutivas para o Senado.
O histórico ajuda a dimensionar a importância dessa segunda escolha: nas três últimas eleições com duas vagas ao Senado, caiu a proporção das possibilidades de voto que se transformaram em votos válidos.