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Projeto prevê choque em tornozeleira de agressor que romper perímetro

Equipamento emitiria primeiro um alerta e, se houver avanço além da distância determinada pela Justiça, poderia aplicar descargas de intensidade crescente.

27/9/2026
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O projeto de lei 5.449/2026, de autoria da deputada Antônia Lúcia (MDB-AC), autoriza o uso de tornozeleiras ou braceletes eletrônicos capazes de aplicar descargas elétricas em agressores que descumprirem a distância mínima determinada pela Justiça em medidas protetivas.

A proposta altera a Lei Maria da Penha para permitir que o equipamento de monitoração eletrônica tenha um mecanismo interno de eletrochoque do tipo taser, destinado a incapacitar temporariamente o agressor caso ele ultrapasse o perímetro de exclusão estabelecido judicialmente.

O sistema funcionaria de maneira escalonada. Ao se aproximar do limite determinado pela Justiça, o agressor receberia um alerta sonoro ou por vibração. Caso continuasse avançando e rompesse o perímetro, o equipamento aplicaria uma descarga de intensidade leve.

Projeto autoriza tornozeleira com taser para agressores monitorados.Magnific

Se a aproximação persistisse, seria aplicada uma descarga de intensidade média. Em uma nova insistência, o dispositivo poderia liberar uma descarga de maior intensidade, classificada pelo projeto como não letal, com o objetivo de provocar incapacitação física temporária.

Os limites de intensidade, os intervalos entre as descargas, as contraindicações e os demais protocolos técnicos seriam definidos posteriormente em regulamento.

Descumprimento de medidas protetivas

Na justificativa, Antônia Lúcia argumenta que o atual sistema de monitoração eletrônica permite identificar quando o agressor viola a distância determinada pela Justiça, mas não impede fisicamente que ele continue se aproximando da vítima.

A deputada cita dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública segundo os quais o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, além de aumento nos registros de descumprimento de medidas protetivas, perseguição e tentativas de feminicídio.

Para a parlamentar, o intervalo entre a identificação da violação do perímetro e a chegada das forças de segurança pode representar um período de risco para a vítima. A proposta busca permitir uma intervenção imediata por meio do próprio equipamento de monitoração.

A justificativa reconhece que a medida pode suscitar questionamentos jurídicos, inclusive de natureza constitucional e relacionados a tratados internacionais. Por isso, a autora defende que o tema seja submetido a debate técnico e audiências públicas durante a tramitação.

Confira a íntegra.

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