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Dois terços em jogo: eleição pode mudar profundamente o Senado

Dos 81 assentos da Casa, 54 estarão em disputa no primeiro turno; outros nove disputam governos estaduais.

3/10/2026
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As eleições de 2026 podem produzir uma das maiores mudanças recentes na composição do Senado Federal. Dos 81 assentos da Casa, 54 estarão em disputa no primeiro turno: são duas vagas por unidade federativa.

Mesmo entre esses 27 com vaga garantida até 2030, nove disputam governos estaduais e, caso sejam eleitos, deixarão temporariamente o Senado para assumir o Executivo estadual, abrindo espaço para suplentes.

A dimensão da mudança fica ainda mais evidente quando se observa a situação dos atuais ocupantes das 54 cadeiras que vagam no início de 2027. Desse grupo, 32 tentam a reeleição, nove disputam outros cargos ou integram chapas como suplentes e 13 não concorrem a nada.

Isso significa que, antes mesmo da abertura das urnas neste domingo (4), pelo menos 22 dos atuais ocupantes dessas vagas já não permanecerão como titulares das mesmas cadeiras na próxima legislatura.

Ao menos 22 cadeiras serão renovadas.Arte Congresso em Foco

Peso político

Antes de entender as transformações que podem ocorrer no Senado, é preciso saber a relevância política dos 81 membros da Casa. Além de votar leis, senadores exercem funções que a Câmara dos Deputados não possui, como aprovar autoridades indicadas pelo presidente da República, julgar processos de impeachment e controlar aspectos importantes das finanças públicas.

É competência do Senado, por exemplo, aprovar a escolha de ministros para o STF. A Suprema Corte é só uma entre muitas instituições que passam pelo crivo dos senadores na sua composição. Mais do que porta de entrada, é também a Casa que define quem deve deixar a posição.

Quem fica

Como cada Estado tem direito a três senadores, um representante de cada unidade federativa segue na Casa por ao menos mais quatro anos. Esses mandatos foram escolhidos em 2022 e seguem até janeiro de 2031.

Por isso, independentemente do resultado das 54 vagas que serão disputadas neste ano, esse grupo já forma a base da composição que continuará no Senado a partir de 2027.

Apesar da garantia, as eleições de 2026 levam nove deles às urnas como candidatos a governador. Alan Rick (Republicanos-AC), Renan Filho (MDB-AL), Omar Aziz (PSD-AM), Wilder Morais (PL-GO), Wellington Fagundes (PL-MT), Cleitinho (Republicanos-MG), Efraim Filho (PL-PB), Sergio Moro (PL-PR) e Professora Dorinha Seabra (União-TO) querem comandar o Executivo estadual.

Se forem derrotados nas eleições estaduais, poderão retornar ao Senado e cumprir normalmente o restante dos mandatos. Se vencerem e assumirem os governos, serão substituídos pelos respectivos suplentes.

Ao menos 22 cadeiras serão renovadas.Arte Congresso em Foco

O Maranhão guarda uma particularidade que deixa a vaga indefinida. A vaga maranhense foi conquistada por Flávio Dino naquele pleito. Com sua posterior saída do Senado para assumir uma cadeira no STF, suplentes da chapa passaram a exercer o mandato.

A vaga é da 1ª suplente, Ana Paula Lobato (PSB). No momento em que esta matéria vai ao ar, porém, a então senadora está fora de exercício por licença para tratar de assuntos pessoais e Lourdinha Pereira (PSB) aparece como ocupante da cadeira.

Esse grupo dos que ficam também será relevante para definir o equilíbrio partidário da próxima legislatura. PL, Republicanos, PSD, PT, PP, União Brasil, MDB e PSB já possuem cadeiras vinculadas a mandatos que não estão nas urnas. A força de cada partido dependerá de quantas das 54 vagas em disputa conseguir conquistar, além de eventuais trocas partidárias posteriores.

Quem busca outro cargo

Dentre os 54 senadores que encerram seus mandatos, 22 se despedem da Casa e não buscam reeleição. São 13 os que não disputam nenhum cargo e se afastarão da vida pública.

Outros nove concorrem a outros postos ou aparecem como suplentes em chapas ao Senado. O maior exemplo é o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Senadores buscam outros cargos em 2026.Arte Congresso em Foco

Do ponto de vista estratégico, o Senado dita a governabilidade do presidente, em especial durante um mandato com quatro indicações previstas ao Supremo. A Casa representa uma das vozes mais importantes do Legislativo brasileiro, o que pode definir os rumos do Brasil pelos próximos oito anos.

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