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ELEIÇÕES

Saiba quais parlamentares deixarão a política a partir de 2027

Seis deputados e seis senadores encerram suas trajetórias na política eleitoral; parte deles pretende aconselhar a próxima geração de congressistas.

Congresso em Foco

20/9/2026 7:00

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Dos 567 deputados e senadores com mandatos submetidos à renovação nas eleições de 2026, 27 decidiram ficar fora das urnas. Entre eles, ao menos 12 parlamentares encerram suas trajetórias na política eleitoral, seja por aposentadoria, decisão pessoal, problemas de saúde, mudança de carreira ou abertura de espaço para uma nova geração da própria família.

A saída das urnas, porém, não representa necessariamente afastamento completo da vida pública. Exemplo disso é o de Rodrigo Pacheco, escolhido pelo Congresso para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto Arnaldo Jardim e Luiz Carlos Hauly pretendem continuar participando de debates políticos e da formulação de propostas fora de mandatos eletivos.

Lista inclui veteranos de longa data da política brasileira, como Paulo Paim, Arnaldo Jardim e Luiz Carlos Hauly.

Lista inclui veteranos de longa data da política brasileira, como Paulo Paim, Arnaldo Jardim e Luiz Carlos Hauly. Arte Congresso em Foco

Concluem as trajetórias no Senado:

  • Luis Carlos Heinze

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) encerra uma trajetória de quase três décadas no Congresso. Engenheiro agrônomo, professor e produtor rural, ele começou a carreira política no Rio Grande do Sul, passou pela Secretaria de Agricultura de São Borja e comandou a prefeitura do município entre 1993 e 1996. Chegou à Câmara em 1999 e permaneceu por cinco mandatos consecutivos, até assumir uma cadeira no Senado em 2019.

Heinze anunciou em março que não concorreria a nenhum cargo nas eleições de 2026. A decisão foi comunicada ao recusar o convite para integrar, como candidato a vice, a chapa de Luciano Zucco (PL) ao governo gaúcho. O senador informou que encerraria a carreira eleitoral ao término do atual mandato.

  • Paulo Paim

Paulo Paim (PT-RS) deixará o Congresso após 40 anos de atuação parlamentar. Ex metalúrgico e dirigente sindical, foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1986 e tomou posse no ano seguinte, participando ativamente na construção da Constituição de 1988.

Cumpriu quatro mandatos na Câmara antes de chegar ao Senado, onde está desde 2003 e completa o terceiro mandato consecutivo.

Aos 76 anos, Paim decidiu não buscar um quarto mandato. Ao comunicar a escolha, falou em passar o bastão para uma nova geração. Em pronunciamento no Senado, também disse que a decisão de encerrar a carreira eleitoral levou em consideração o desejo de dedicar mais tempo à própria saúde.

  • Oriovisto Guimarães

Para Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), a saída conclui a única experiência em cargo eletivo de sua trajetória. Ex-líder estudantil, economista e empresário nos ramos de educação e tecnologia, ele entrou na política partidária em 2018, aos 72 anos, e foi eleito senador pelo Paraná com quase 3 milhões de votos.

Oriovisto já havia anunciado desde seu primeiro pleito que não tentaria permanecer no cargo após o mandato. Ainda em 2018, revelou-se contrário à utilização de cargos públicos como caminho de formação de carreira, defendendo a renovação constante de lideranças.

  • Rodrigo Pacheco

Rodrigo Pacheco (PSB-MG) terá uma saída diferente dos demais. Advogado, entrou na política eleitoral em 2014, quando conquistou uma cadeira de deputado federal por Minas Gerais. Na Câmara, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça. Elegeu-se senador em 2018 e presidiu o Senado e o Congresso durante dois biênios consecutivos, de 2021 a 2025.

Antes das eleições, Pacheco descartou uma candidatura ao governo de Minas Gerais e sinalizou que pretendia encerrar seu ciclo na política eleitoral, desejando retornar à vocação jurídica.

O destino mudou no início deste mês, quando o ex-ministro Bruno Dantas deixou o TCU. Indicado para a vaga pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Pacheco deixa o mandato eletivo para seguir na vida pública no tribunal.

  • Flávio Arns

Professor de formação, Flávio Arns (PSB-PR) acumula mais de três décadas de vida pública. Exerceu três mandatos consecutivos de deputado federal entre 1991 e 2003, chegou ao Senado pela primeira vez naquele ano e permaneceu até 2011. Depois, passou pelo Executivo paranaense como vice governador, antes de retornar ao Senado nas eleições de 2018.

Arns anunciou em julho que não tentaria novo mandato. Em carta aberta, informou que a decisão foi tomada após reflexão com a família e avaliou que os principais objetivos estabelecidos para sua trajetória política estavam cumpridos.

Ao contrário de outros nomes que falam em aposentadoria, o senador pretende continuar participando da vida pública, especialmente em iniciativas ligadas à defesa educação, inclusão e outras causas sociais.

  • Jorge Kajuru

Jorge Kajuru (PSB-GO) chegou à política depois de uma longa carreira como jornalista esportivo. Em 2016, foi eleito vereador em Goiânia e, dois anos depois, conquistou uma das vagas de Goiás no Senado.

O senador já vinha demonstrando desgaste com a atividade política e, ao longo de 2026, chegou a avaliar alternativas como uma candidatura à Câmara.

Diagnosticado com doença de Parkinson em dezembro de 2025, decidiu posteriormente encerrar de vez a carreira eleitoral, preferindo priorizar os cuidados com a própria saúde e retornar ao jornalismo.

Concluem as trajetórias na Câmara:

  • Arnaldo Jardim

Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) chegará ao fim do atual mandato com nove passagens pelos Legislativos estadual e federal. Engenheiro e professor, cumpriu quatro mandatos como deputado estadual em São Paulo e está na Câmara desde 2007, onde completa o quinto mandato consecutivo. Também comandou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do governo paulista.

Jardim decidiu não buscar uma décima eleição para o Legislativo, mas não pretende abandonar a atividade política.

Seu plano é trabalhar como conselheiro e consultor, aproveitando a experiência acumulada em áreas como energia, infraestrutura, agronegócio, sustentabilidade e regulação. Também pretende continuar participando da formulação de propostas e do debate público, auxiliando a próxima geração de parlamentares.

  • Luiz Carlos Hauly

Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) encerra uma das trajetórias eleitorais mais longas do grupo. Economista e professor, iniciou a vida pública na década de 1970, foi vereador e prefeito de Cambé (PR), secretário da Fazenda do Paraná e chegou à Câmara pela primeira vez em 1991. Ao todo, sua carreira soma 54 anos de atuação pública e 17 eleições disputadas.

Hauly pretende concentrar a nova etapa na defesa de propostas fora do mandato, especialmente em temas tributários e econômicos. Entre as prioridades anunciadas estão a implementação da reforma tributária, propostas para o fortalecimento dos pequenos negócios e a defesa de maior participação dos municípios na distribuição de recursos públicos.

  • Márcio Biolchi

Márcio Biolchi (MDB-RS) começou a trajetória eleitoral como vereador de Carazinho (RS) e cumpriu três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul antes de chegar à Câmara, em 2015.

Advogado, também exerceu funções no Executivo gaúcho, entre elas a chefia da Casa Civil e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. O mandato atual é seu terceiro como deputado federal.

A partir de 2027, Biolchi pretende trocar a vida pública pelo setor privado. O deputado decidiu não concorrer a um quarto mandato e planeja retomar atividades profissionais fora da política institucional, encerrando uma sequência de cargos eletivos iniciada ainda no começo dos anos 2000.

  • Eriberto Medeiros

Eriberto Medeiros (PSB-PE) também encerra uma trajetória de quase três décadas em cargos eletivos. Começou como vereador do Recife, passou por quatro mandatos de deputado estadual e chegou a presidir a Assembleia Legislativa de Pernambuco. Em 2023, assumiu seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados.

Em julho, Medeiros anunciou que não disputaria a reeleição. O deputado informou que pretende dedicar mais tempo aos cuidados com a saúde e à vida pessoal. Apesar da retirada das urnas, seu grupo familiar permanece na política pernambucana: Eriberto Filho, deputado estadual, disputa a continuidade do mandato.

  • Hercílio Coelho Diniz

Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG) deixa a Câmara depois de dois mandatos consecutivos. Empresário de Governador Valadares (MG), foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2018 e reconduzido ao cargo quatro anos depois. Apesar da trajetória curta, o deputado consolidou um grupo político e bases eleitorais sólidas na política mineira.

O congressista se retira da política eleitoral enquanto prepara o terreno para o filho, Vinícius Diniz, que concorre a uma vaga na Câmara.

  • José Rocha

Dentre os deputados que se preparam para concluir a vida pública, José Rocha (União-BA) é o parlamentar com a trajetória eleitoral mais longa. Médico e ex-dirigente esportivo, iniciou a carreira na Assembleia Legislativa da Bahia, onde cumpriu quatro mandatos consecutivos entre 1979 e 1995. Naquele ano, chegou à Câmara dos Deputados e permaneceu por oito mandatos seguidos. Ao deixar o cargo, completará 48 anos consecutivos em Legislativos estadual e federal.

A sucessão já está encaminhada dentro da própria família. José Rocha decidiu não buscar o nono mandato de deputado federal e apoia a candidatura do filho, deputado estadual Manuel Rocha, à Câmara.

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