A indefinição sobre a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) pode interferir diretamente na possibilidade de a eleição para o governo do Rio de Janeiro terminar no primeiro turno. Pela fotografia da última pesquisa Quaest, Eduardo Paes (PSD) teria 54,8% dos votos atualmente declarados aos demais candidatos caso os 9% atribuídos ao ex-governador fossem posteriormente invalidados. O destino dos 14% de indecisos, porém, ainda pode alterar essa conta.
A Quaest divulgada em 29 de setembro, registrada sob o protocolo RJ-04419/2026, mostra Paes com 34% das intenções de voto, Douglas Ruas (PL) com 25% e Garotinho com 9%. William Siri (PSOL), Juliete Pantoja (UP) e Coronel Busnello (Missão) aparecem com 1% cada. André Marinho (Novo) e Luan Monteiro (PCO) têm 0%.
Outros 14% estão indecisos e 14% afirmam que votarão em branco, nulo ou não irão votar.
Cálculo básico
Considerando os percentuais divulgados e os arredondamentos da pesquisa, os candidatos somam 71% das intenções de voto. Nesse universo, os 34 pontos de Paes representam aproximadamente 47,9%, abaixo da maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno.
A situação muda se Garotinho chegar às urnas, receber votos e, posteriormente, tiver a candidatura definitivamente rejeitada, com esses votos considerados inválidos.
Retirados os 9 pontos atribuídos a Garotinho, restariam 62 pontos percentuais já declarados aos demais candidatos. Os 34 pontos de Paes corresponderiam a aproximadamente 54,8% desse universo.
Isso não significa, no entanto, que Paes teria hoje 54,8% dos votos válidos em uma eleição sem Garotinho. Há ainda 14% de eleitores que não decidiram em quem votar e que podem escolher qualquer um dos candidatos, além da possibilidade de votarem em branco, anularem o voto ou não comparecerem.
Indecisos entram na conta
No cenário mais amplo, em que todos os 14% de indecisos decidissem votar em algum candidato diferente de Garotinho, o universo considerado na simulação subiria de 62% para 76%.
Para superar 50% nesse cenário, Paes precisaria chegar a mais de 38 pontos. Como já tem 34%, precisaria conquistar pouco mais de 4 pontos percentuais entre os 14% de indecisos.
Se a distribuição dos indecisos acompanhasse proporcionalmente as preferências já declaradas entre os candidatos restantes, Paes permaneceria acima dos 50%. Se a maior parte migrasse para seus adversários, poderia haver segundo turno mesmo com a eventual invalidação dos votos de Garotinho.
A conta também muda se parte dos indecisos optar por votos brancos ou nulos ou não comparecer às urnas, já que esses votos não entram no cálculo dos votos válidos.
A pesquisa, portanto, não permite afirmar que a saída dos votos de Garotinho garantiria a eleição de Paes no primeiro turno. Mostra, porém, que os 9% atribuídos ao ex-governador são suficientes para alterar significativamente a matemática da disputa.
Garotinho segue na disputa
O TSE assegurou nesta quarta-feira (30) a permanência de Garotinho na disputa pelo governo do Rio enquanto não julgar definitivamente o registro da candidatura.
O ministro Floriano de Azevedo Marques determinou o prosseguimento do processo e manteve os efeitos da liminar referendada pela Corte que suspendeu as restrições impostas pelo TRE/RJ à campanha do ex-governador.
Com isso, Garotinho continua autorizado a fazer campanha, participar do horário eleitoral gratuito e utilizar recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
O TRE/RJ indeferiu o registro por considerar que Garotinho ainda está com os direitos políticos suspensos em razão de condenação por improbidade administrativa. A defesa recorreu ao TSE.
Enquanto não houver decisão definitiva, Garotinho pode disputar a eleição e receber votos. O destino deles, porém, permanece vinculado ao desfecho do processo.