Notícias

Por que o eleitor terá de votar duas vezes para senador neste domingo

Eleição renovará 54 das 81 cadeiras; levantamento do Congresso em Foco mostra queda no aproveitamento dos dois votos nas disputas com duas vagas.

3/10/2026
Publicidade
Expandir publicidade

Quem votou em 2022 talvez estranhe a urna neste domingo (4). Na eleição passada, o eleitor escolheu apenas um senador. Agora, terá direito a dois votos para o mesmo cargo — obrigatoriamente em candidatos diferentes.

A explicação está no modelo de renovação do Senado. Seus integrantes têm mandato de oito anos, mas a Casa é renovada parcialmente a cada quatro: numa eleição, são escolhidos 27 senadores, um por Estado e pelo Distrito Federal; na seguinte, 54, dois por unidade da Federação.É o que ocorrerá agora. Em 2030, estará em disputa novamente um terço das 81 cadeiras; em 2034, dois terços.

Eleitor pode votar em dois candidatos ao Senado, mas não pode votar duas vezes no mesmo.Arte Congresso em Foco

Levantamento do Congresso em Foco, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o aproveitamento dos dois votos caiu nas últimas três eleições em que estavam em disputa duas vagas por Estado: de 81,1% em 2002 para 77,9% em 2010 e 73,1% em 2018.

Há outro desafio para os candidatos ao Senado: reduzir a proporção de votos brancos e nulos, que, em 2022, foi quase o dobro da registrada para a Câmara: 18,7%, contra 10,5%. Somadas as abstenções, 55,4 milhões de pessoas — 35,6% do eleitorado apto — não escolheram um candidato a senador. Mobilizar esse eleitorado ganha importância em uma disputa considerada estratégica tanto pelo governo quanto pela oposição.

Por que o Senado nunca é renovado por inteiro?

A renovação alternada existe desde o início da República. A Constituição de 1891 estabeleceu três senadores por Estado, com mandatos de nove anos e renovação de um terço a cada três. O formato atual surgiu com a Constituição de 1946: mandatos de oito anos e eleições a cada quatro, alternando a renovação de um e dois terços. A Constituição de 1988 manteve a fórmula.

A lógica é evitar que todo o Senado seja substituído de uma só vez, combinando renovação política e continuidade institucional.

O princípio não é exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, os senadores têm mandato de seis anos e aproximadamente um terço das cadeiras é renovado a cada dois. Na França, os mandatos também duram seis anos, mas metade do Senado é renovada a cada três.

Veja a ordem de votação na urna eletrônicaArte Congresso em Foco

54 vagas para 319 candidatos

Segundo o TSE, 319 candidatos foram registrados para disputar as 54 vagas neste ano — média de quase seis por cadeira. Os dois mais votados em cada Estado e no Distrito Federal serão eleitos. Não há segundo turno.

Diferentemente da Câmara, cuja representação varia conforme a população, cada unidade da Federação tem três senadores. São Paulo e Acre, portanto, elegerão exatamente dois neste domingo.

Parte da renovação já está garantida. Entre os atuais ocupantes das 54 cadeiras em disputa, 32 tentam a reeleição. Outros 22 não disputam a permanência como titulares dessas vagas. Assim, pelo menos 22 cadeiras terão novos titulares em 2027.

Aproveitamento dos dois votos vem caindo

Em 2002, 81,1% das possibilidades de voto para senador se converteram em votos válidos. O índice caiu para 77,9% em 2010 e 73,1% em 2018.

Em termos simples: a cada 100 eleitores presentes, poderiam ser registrados 200 votos válidos para senador. Em 2018, foram aproximadamente 146. Entre os Estados, o aproveitamento variou de 61,7% em Pernambuco a 89,6% no Acre.

A comparação com 2022 reforça o contraste. Em 2018, última eleição com duas vagas por Estado, brancos e nulos corresponderam a 26,9% dos votos para o Senado. Quatro anos depois, quando havia apenas uma vaga, foram 18,7%.

Há uma ressalva: como os dados do TSE são agregados, não é possível saber quantos eleitores escolheram apenas um candidato ou anularam especificamente a segunda escolha. O levantamento mede quantas possibilidades de voto se converteram em votos válidos, não o comportamento individual do eleitor.

Dois votos, dois candidatos diferentes

Na urna, senador será o terceiro cargo apresentado, depois de deputado federal e deputado estadual ou distrital. Como há duas vagas, a tela aparecerá duas vezes.

O número do candidato tem três dígitos. Depois de confirmar a primeira escolha, o eleitor deverá escolher outro nome. Não é possível dar os dois votos ao mesmo candidato. Se repetir o número, o segundo voto será nulo. Os candidatos podem ser de partidos diferentes e não há voto de legenda para senador. Se o eleitor votar em branco ou anular uma das escolhas, a outra continua válida.

O eleitor também escolhe os suplentes

Cada candidato ao Senado concorre com dois suplentes. O eleitor não vota separadamente neles: ao escolher o titular, elege a chapa inteira.

Os suplentes podem assumir a cadeira em caso de afastamento ou vacância do titular. Por isso, seus nomes também fazem parte de uma escolha para um mandato de oito anos. Como mostrou o Congresso em Foco, vários dos candidatos escolheram em casa mesmo seus suplentes, como filhos, pais e irmãos.

O que um senador pode decidir

Senadores fazem leis, votam propostas de emenda à Constituição e o Orçamento e fiscalizam o governo. Mas a Casa também possui atribuições exclusivas.

Cabe ao Senado analisar indicações presidenciais para ministros do STF, procurador-geral da República, dirigentes do Banco Central e embaixadores. Também cabe exclusivamente à Casa processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade e julgar o presidente da República nesses casos depois da autorização da Câmara.

O Senado ainda tem competências relacionadas ao endividamento público de União, Estados e municípios.

Os 54 senadores escolhidos neste domingo tomarão posse em 2027 e terão mandato até 2035. Em 2030, estarão apenas na metade do mandato e, durante a eleição presidencial de 2034, ainda permanecerão no cargo. Por isso, quando a tela do Senado aparecer pela segunda vez neste domingo, não será uma repetição: são duas vagas, dois votos e dois candidatos diferentes — para mandatos que irão até 2035.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos