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ELEIÇÃO PARA O CONGRESSO

Senado tem quase o dobro da taxa de brancos e nulos da Câmara

Proporção supera a da Câmara em todas as eleições desde 2002; mobilizar eleitores é desafio na disputa por 54 cadeiras do Senado neste ano.

Congresso em Foco

23/9/2026 | Atualizado às 15:15

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O Senado chega à eleição de outubro com um desafio: reduzir a proporção de votos brancos e nulos, que, em 2022, foi quase o dobro da registrada para a Câmara: 18,7%, contra 10,5%. Somadas as abstenções, 55,4 milhões de pessoas — 35,6% do eleitorado apto — não escolheram um candidato a senador. Mobilizar esse eleitorado ganha importância em uma disputa considerada estratégica tanto pelo governo quanto pela oposição.

Levantamento do Congresso em Foco com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a proporção de brancos e nulos foi maior para o Senado nas últimas quatro eleições gerais. A diferença se manteve tanto nas disputas com uma vaga por Estado e pelo Distrito Federal quanto naquelas com duas, como ocorrerá neste ano.

Em outubro, 319 candidatos disputarão 54 cadeiras, duas por unidade da Federação. Entre eles estão 32 senadores que tentam renovar seus mandatos por mais oito anos.

Na média, eleitores votam mais para deputado do que para senador.

Na média, eleitores votam mais para deputado do que para senador.Arte Congresso em Foco

Uma disputa pelo equilíbrio entre os poderes

Em 4 de outubro, estarão em jogo 54 das 81 cadeiras do Senado. A renovação de dois terços da Casa pode alterar a relação de forças entre governo e oposição e repercutir sobre o Judiciário.

O interesse vai além da aprovação de projetos. Cabe ao Senado aprovar ou rejeitar indicações para cargos como ministro do Supremo Tribunal Federal, procurador-geral da República e presidente do Banco Central. A Casa também tem competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, em processos de impeachment. Essas atribuições ajudam a explicar a prioridade dada à disputa por aliados de Lula e adversários do governo.

Índices caíram, mas a diferença permaneceu

O maior percentual de brancos e nulos para o Senado no período analisado ocorreu em 2018: 26,9%, mais de um em cada quatro votos registrados para o cargo. Na mesma eleição, a Câmara teve 16,1%.

Quatro anos depois, os índices recuaram nas duas disputas. O Senado registrou sua menor taxa entre as quatro eleições, mas permaneceu 8,2 pontos percentuais acima da Câmara.

Percentuais sobre os votos registrados para cada cargo no primeiro turno, sem abstenções. Nos anos com duas vagas para senador, as duas escolhas estão somadas.

A proporção maior para o Senado também aparece nos arquivos consultados de 2002 e 2006. A comparação principal ficou restrita às quatro eleições mais recentes porque, em 2006, foram identificadas divergências entre bases do TSE que ainda exigem esclarecimento sobre a classificação dos votos.

O peso das ausências

Os percentuais da tabela consideram apenas quem compareceu às urnas. Em 2022, foram 23,1 milhões de votos brancos e nulos para senador e 13 milhões para deputado federal.

Outros 32,4 milhões de eleitores não compareceram. Ao incluir esse grupo, a parcela do eleitorado que ficou sem escolher senador chega aos 35,6% mencionados no início da reportagem.

Para a Câmara, abstenções, brancos e nulos somaram 45,3 milhões de pessoas, ou 29,2% dos eleitores aptos. Nesse caso, o cálculo reúne quem não compareceu ou não escolheu candidato nem partido.

Regras e segunda escolha

O analista político Antonio Augusto de Queiroz aponta o desconhecimento das regras como uma possível explicação para o resultado. Diferentemente da eleição para deputado, a disputa pelo Senado não admite voto apenas no partido: é preciso indicar um candidato, com três dígitos.

Ele também considera que a posição do cargo na sequência da urna e a exigência de duas escolhas em determinadas eleições podem contribuir. "Talvez, o fato de ser o terceiro voto na ordem de votação explique um pouco isso", afirma. Queiroz acredita que os índices elevados de votos brancos e nulos para o Senado tende a se repetir neste ano.

Para o analista, partidos e federações com dois candidatos precisam estimular o voto na dupla. "Se votar só em um, o segundo voto pode ir para os adversários." Essa escolha adicional, avalia, costuma favorecer quem enfrenta menor resistência: "A escolha do segundo voto, em geral, vai para o menos rejeitado entre os candidatos com chance."

Nesse raciocínio, alianças e afinidades podem pesar contra um nome. "A lógica, no segundo voto, é de que o amigo do meu inimigo é meu inimigo! É um voto de exclusão." Queiroz compara o comportamento à rivalidade no futebol: a ligação com um time adversário poderia levar o eleitor a escolher outro candidato, mesmo sem considerá-lo o melhor.

Dois votos, dois nomes diferentes

Neste ano, os dois candidatos mais votados em cada Estado e no Distrito Federal serão eleitos para mandatos de oito anos, sem segundo turno para o Senado.

Depois de confirmar o primeiro nome, o eleitor verá outra tela para o mesmo cargo. Repetir o número não reforça a escolha: o primeiro voto permanece válido, mas o segundo é anulado. Votar em branco ou anular uma das opções também não invalida a outra.

A Justiça Eleitoral recomenda levar uma colinha de papel. A ordem de votação será: deputado federal, deputado estadual ou distrital, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente. Antes de confirmar, confira o nome e a foto na tela.

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