O resultado do primeiro turno da eleição presidencial desenhou um Brasil dividido não apenas entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também geograficamente. Flávio terminou à frente em 14 das 27 unidades da Federação, enquanto Lula venceu em 13. Por trás do placar equilibrado entre Estados, porém, aparecem diferenças regionais bastante claras.
Flávio venceu em todos os Estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal. Lula, por sua vez, fez uma varredura no Nordeste e terminou em primeiro nos nove Estados da região. O Norte foi a única região efetivamente dividida entre os dois candidatos.
A divisão ajuda a explicar a vantagem nacional de Flávio no primeiro turno. O candidato do PL terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, e os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Flávio leva todo o Sul, Sudeste e Centro-Oeste
O mapa de Flávio foi especialmente homogêneo em três regiões. No Sul, venceu no Paraná, com 59,91%, em Santa Catarina, com 66,65%, e no Rio Grande do Sul, com 55,64%.
No Centro-Oeste, ficou à frente em Mato Grosso, onde alcançou 65,15%, Mato Grosso do Sul, com 58,60%, Goiás, com 53,60%, e Distrito Federal, com 51,31%.
O resultado mais relevante para o equilíbrio nacional aparece no Sudeste. Flávio venceu nos quatro Estados da região, inclusive Minas Gerais, onde a disputa foi mais apertada: 48,24% contra 43,33% de Lula, vantagem de 4,91 pontos percentuais.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio marcou 51,93%, enquanto Lula teve 38,20%. No Rio de Janeiro, o placar foi de 53,01% a 39,41%. No Espírito Santo, Flávio obteve 54,78%, contra 37,76% do petista.
Assim, dos 11 Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal, Lula não venceu em nenhum.
Lula faz 9 a 0 no Nordeste
Se Flávio construiu um bloco contínuo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, Lula manteve domínio igualmente amplo no Nordeste. O presidente venceu nos nove Estados da região.
A maior votação proporcional de Lula no país ocorreu no Piauí, onde chegou a 70,99%, contra 24,09% de Flávio. A diferença de 46,90 pontos percentuais também foi a maior vantagem obtida pelo petista em uma unidade da Federação.
Lula passou dos 60% ainda na Bahia, com 66,17%, Maranhão, com 63,99%, Pernambuco, com 63,45%, Ceará, com 63,29%, Sergipe, com 62,75%, e Paraíba, com 61,31%.
No Rio Grande do Norte, obteve 59,75%, contra 34,77% de Flávio. Em Alagoas, onde ocorreu a disputa mais apertada do Nordeste, Lula venceu por 54,73% a 40,45%.
O Nordeste, portanto, foi o único bloco regional inteiramente conquistado pelo petista.
Norte é a região mais dividida
O Norte apresentou o mapa menos uniforme. Flávio venceu em quatro Estados, enquanto Lula ficou à frente em três.
Flávio teve algumas de suas maiores vantagens nacionais na região. Em Roraima, alcançou 71,06%, sua maior votação proporcional entre todas as unidades da Federação, contra 22,86% de Lula. Em Rondônia, foram 67,45% a 25,89%, e no Acre, 64,56% a 28,73%.
O candidato do PL também venceu no Tocantins, mas por uma margem bem menor: 50,44% a 43,42%.
Lula ficou à frente no Pará, com 49,91% contra 44,50%, e no Amazonas, com 48,23% contra 45%.
O Amapá registrou o cenário mais equilibrado de todo o país. Lula teve 45,71% e Flávio, 45,67%. A diferença foi de apenas 0,04 ponto percentual.
Veja o mapa:
Maiores vantagens
Embora o número de vitórias estaduais tenha ficado próximo, os dois candidatos registraram vantagens superiores a 30 pontos em seus principais redutos.
A maior vantagem de Flávio ocorreu em Roraima: 48,20 pontos percentuais. Na sequência aparecem Santa Catarina, com 41,61 pontos, Rondônia, com 41,56, Mato Grosso, com 35,97, e Acre, com 35,83.
Do lado de Lula, a maior diferença foi registrada no Piauí, com 46,90 pontos. Depois aparecem Bahia, com 37,64, Maranhão, com 33,09, Pernambuco, com 32,42, Sergipe, com 32,12, e Ceará, com 32,02.
Na outra ponta estão Estados em que nenhum dos dois conseguiu abrir grande distância. Além do empate virtual no Amapá, Lula venceu o Amazonas por 3,23 pontos e o Pará por 5,41. Flávio ganhou Minas Gerais por 4,91 pontos e Tocantins por 7,02.
O mapa do primeiro turno deixa, assim, duas características simultâneas para o segundo: uma divisão quase perfeita no número de unidades da Federação, 14 a 13 para Flávio, e uma concentração regional muito mais acentuada. Flávio saiu na frente em três regiões inteiras; Lula compensou com domínio absoluto no Nordeste, enquanto o Norte permaneceu dividido.