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PRÓXIMA BATALHA
Congresso em Foco
4/10/2026 | Atualizado às 21:27
O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Lula (PT) e enfrentará o presidente no segundo turno, em 25 de outubro. O resultado contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final, que indicavam vantagem do petista. Com 98,62% das urnas apuradas, Flávio tinha 47,27% dos votos válidos, contra 44,88% de Lula. Eram 55,6 milhões de votos para o senador e 52,8 milhões para o presidente — diferença de cerca de 2,8 milhões até o momento.
Bem atrás dos dois primeiros apareciam Augusto Cury (Avante), com 2,92%, Renan Santos (Missão), com 2,28%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,22%. Nenhum candidato alcançou os mais de 50% dos votos válidos necessários para liquidar a eleição neste domingo. Flávio e Lula voltam às urnas daqui a três semanas.
Resultado contraria pesquisas
A liderança de Flávio é a principal surpresa do primeiro turno. Durante praticamente toda a pré-campanha e boa parte da campanha, Lula apareceu à frente do senador nos levantamentos nacionais.
A diferença diminuiu nas últimas semanas. Ainda assim, pesquisas divulgadas às vésperas da eleição continuavam mostrando Lula numericamente na liderança. O Datafolha, por exemplo, apontava 45% dos votos válidos para Lula e 40% para Flávio três dias antes da votação.
A apuração começou com Flávio em vantagem e chegou a colocá-lo acima dos 50% dos votos válidos nas primeiras horas. À medida que a contagem avançou, Lula reduziu a distância, mas não chegou a ultrapassá-lo.
O placar também expôs o grau de concentração da disputa. Flávio e Lula somaram mais de 92% dos votos válidos, deixando menos de 8% para todos os demais candidatos.
Da perseguição a Lula à liderança nas urnas
Flávio começou a campanha em posição bem menos confortável. Durante meses, buscou consolidar-se como herdeiro eleitoral do pai, Jair Bolsonaro, e impedir que outros candidatos da direita ocupassem esse espaço.
Na reta final, conseguiu concentrar o eleitorado bolsonarista e boa parte do voto antipetista. Os adversários à direita e ao centro não romperam a polarização entre ele e Lula.
O senador também atravessou a campanha sob uma série de acusações e questionamentos. Foram exploradas por adversários suas relações com Daniel Vorcaro, antigas suspeitas de rachadinha e vínculos com integrantes de milícias no Rio, além de suas articulações nos Estados Unidos e dos ataques ao Supremo Tribunal Federal.
Flávio respondeu tentando ampliar sua imagem para além do bolsonarismo mais fiel e se apresentar como uma versão mais moderada do pai. Ao mesmo tempo, evitou os principais debates presidenciais do primeiro turno.
Lula chegou à eleição tentando conquistar um quarto mandato presidencial e apostando, na reta final, na possibilidade de liquidar a disputa já neste domingo. A campanha reforçou medidas de apelo popular e intensificou os ataques a Flávio, mas viu o adversário crescer nas últimas semanas.
Duelo também dominou o TSE
A polarização entre os dois candidatos apareceu também na Justiça Eleitoral.
Levantamento do Congresso em Foco mostrou que, das 301 ações movidas entre presidenciáveis no Tribunal Superior Eleitoral até o fim de setembro, 285 — quase 95% — opunham diretamente Lula e Flávio.
Direitos de resposta, pedidos de remoção de conteúdo e acusações sobre propaganda irregular estiveram entre os principais focos da disputa jurídica.
O segundo turno tende agora a aprofundar esse confronto. Pela primeira vez na campanha, os dois candidatos passam a disputar sozinhos o eleitorado e a buscar diretamente os votos de quem escolheu outras candidaturas no primeiro turno.
Disputa mais apertada
A diferença entre os dois primeiros colocados também é menor que a registrada há quatro anos. Em 2022, Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. A distância foi de 5,23 pontos percentuais e pouco mais de 6,1 milhões de votos.
Agora, com a apuração praticamente concluída, a diferença entre Flávio e Lula estava em 2,39 pontos.
Desde a volta das eleições diretas, apenas as disputas de 1994 e 1998 foram decididas no primeiro turno. Em todas as demais desde 1989, a escolha do presidente exigiu uma segunda votação.
Segundo turno em 25 de outubro
O segundo turno será realizado em 25 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão será retomada em 9 de outubro e seguirá até o dia 23, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral.
A partir de agora, Lula e Flávio entram em uma nova disputa por apoios. Partidos e candidatos derrotados no primeiro turno serão procurados pelas duas campanhas, especialmente forças de centro e centro-direita que lançaram candidaturas próprias. No segundo turno, vence quem obtiver a maioria dos votos válidos. Eleitores que não compareceram neste domingo poderão votar normalmente em 25 de outubro.
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