A eleição dos senadores Sergio Moro (PL-PR) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) para os governos do Paraná e de Minas Gerais vai levar dois suplentes ao Senado. Luis Felipe Cunha (União-PR) e Alex Diniz (PL-MG) ocuparão as cadeiras deixadas pelos titulares e poderão permanecer na Casa até janeiro de 2031.
Moro e Cleitinho foram eleitos senadores em 2022, para mandatos iniciados em fevereiro de 2023. Como venceram as disputas estaduais no primeiro turno deste domingo (4), deixarão o Congresso para assumir os governos em janeiro.
Os substitutos chegarão à Casa sem ter recebido votos nominais próprios. Na eleição para senador, o voto no titular elege também seus dois suplentes.
Empresário financiou campanha de Cleitinho
Em Minas, a cadeira ficará com o empresário Alex Sandro Coelho Diniz, sócio da rede de supermercados Coelho Diniz. A família também se tornou acionista relevante do Grupo Pão de Açúcar (GPA).
Alex declarou R$ 66 milhões em patrimônio à Justiça Eleitoral em 2022 e foi o maior doador individual da campanha de Cleitinho, com R$ 190,4 mil. Com outros dois irmãos, a família Diniz destinou mais de R$ 370 mil à candidatura, o equivalente a 52,2% do total arrecadado.
Alex é irmão do deputado federal Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG). Com sua entrada, Minas terá três novos representantes no Senado em 2027, embora apenas duas cadeiras tenham sido disputadas neste ano.
Amigo, advogado e financiador de Moro
No Paraná, a vaga ficará com Luis Felipe Cunha (União), advogado, amigo e aliado de longa data de Moro. Cunha foi professor universitário e é mestre em Direito Econômico e Social. Nunca exerceu mandato eletivo. Neste ano, doou R$ 500 mil para a campanha vitoriosa de Moro ao governo do Paraná.
Foi escolhido em 2022 para coordenar a campanha de Moro quando o ex-juiz ainda se preparava para disputar a Presidência. Entre suas atribuições estavam a montagem da equipe jurídica e a interlocução com potenciais doadores. Quando Moro acabou concorrendo ao Senado, tornou-se seu primeiro suplente.
Suplentes que viraram senadores
A substituição do titular pelo suplente tem precedentes recentes. Carlos Portinho (PL-RJ) assumiu definitivamente a cadeira após a morte de Arolde de Oliveira, em 2020, e neste domingo conquistou nas urnas um novo mandato. Giordano (Podemos-SP) chegou ao Senado da mesma forma, após a morte de Major Olímpio, em 2021. Neste ano, porém, ele não disputou mandato.
Fernando Dueire (MDB-PE) tornou-se titular após a renúncia de Jarbas Vasconcelos, em 2023. Já Ivete da Silveira (MDB-SC) viveu situação semelhante à de Diniz e Cunha: assumiu a cadeira quando Jorginho Mello (PL) foi eleito governador de Santa Catarina, em 2022.
A substituição também pode ser temporária, como ocorre quando o titular assume um ministério ou tira licença superior a 120 dias.
Outros três podem assumir depois do segundo turno
A composição do Senado pode sofrer novas mudanças depois do segundo turno estadual, marcado para 25 de outubro. Alan Rick (Republicanos-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Professora Dorinha Seabra (União-TO), eleitos senadores em 2022 e com mandato até 2031, disputam governos estaduais. Se vencerem, serão substituídos pelos primeiros suplentes.
No Acre, a vaga de Alan Rick ficaria com Gemil Júnior (PSD), administrador e bacharel em direito que já presidiu o Detran estadual e comandou a Secretaria de Saúde.
No Amazonas, uma vitória de Omar Aziz abrirá espaço para Cheila Moreira (PT), professora, servidora pública e ex-vereadora de Itacoatiara.
No Tocantins, a primeira suplente de Dorinha é Professora Lu (União), professora e ex-prefeita de Arapoema.
O resultado das eleições estaduais pode, portanto, provocar mudanças no Senado além das 54 vagas disputadas diretamente neste ano. Diniz e Cunha já ocuparão duas cadeiras conquistadas em 2022; dependendo do segundo turno, outras três poderão mudar de mãos.
Embora não receba votos nominais, o suplente é eleito com o titular e pode exercer por anos as mesmas atribuições dos demais senadores.