As eleições de 2026 reforçaram o peso das redes sociais na construção de candidaturas competitivas no Brasil. Alguns dos maiores desempenhos para a Câmara dos Deputados vieram justamente de políticos que acumulam grande audiência no ambiente digital.
O caso mais emblemático é o de Nikolas Ferreira (PL), reeleito por Minas Gerais com mais de 3,1 milhões de votos, deputado federal mais votado da história da Câmara. Em 2022, ele já havia liderado a votação nacional, com cerca de 1,47 milhão. Nikolas tem mais de 22 milhões de seguidores apenas no Instagram.
Em São Paulo, Lucas Pavanato (PL) também rompeu a marca dos 3 milhões e terminou com 3.038.438 votos, tornando-se outro dos maiores fenômenos eleitorais da disputa pela Câmara. Ex-vereador paulistano, Pavanato chegou à eleição federal com uma audiência digital já consolidada: 5,5 milhões só no Instagram.
Do outro lado do espectro político, Erika Hilton (Psol-SP) também transformou projeção digital em resultado eleitoral. A parlamentar foi reeleita com 1.596.472 votos, tornando-se a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Ela construiu uma base nacional nas redes ao combinar atuação parlamentar com conteúdos sobre direitos humanos, população LGBT+, desigualdade social e embates políticos.
A votação de Erika mostra que a influência digital não está restrita à direita. Entre os nomes mais votados de São Paulo aparece também Sâmia Bomfim (Psol), reeleita com 583.107 votos, enquanto Kim Kataguiri (Missão) recebeu 520.071 e Tabata Amaral (PSB) chegou a 476.383. Todos mantêm presença ativa e audiência própria nas plataformas digitais.
O grupo dos dez deputados federais mais votados do país inclui outros nomes com atuação muito forte nas redes: André Fernandes (PL-CE), Julia Zanatta (PL-SC), e Jeffrey Chiquini (Novo-PR).
Eleita pela primeira vez
Outro resultado chamou atenção em Minas. Ana Elisa (PT), de 21 anos, foi eleita em sua primeira disputa com mais de 524 mil votos, ficando entre as candidaturas mais votadas do estado. Antes mesmo de entrar formalmente na política, a jovem já havia construído uma comunidade expressiva no Instagram e no TikTok.
Depois da eleição, Ana Elisa passou a defender que o PT e a esquerda invistam de forma mais estruturada nas redes. Para a deputada eleita, a atuação digital deixou de ser apenas complementar à campanha tradicional. A petista chegou a afirmar que "a base está no Instagram e no TikTok".
Senado
A força das redes sociais também apareceu na disputa pelo Senado. Entre os eleitos estão políticos que já acumulavam grande audiência digital e utilizam Instagram, TikTok, YouTube e outras plataformas como canais permanentes de comunicação com o eleitorado.
Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) é um dos exemplos mais expressivos dessa combinação. Com cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram na reta final da campanha, ele foi eleito senador com 13.273.880 votos, resultado recorde para o cargo no país.
Em outros Estados, candidatos com grande alcance nas plataformas também conquistaram cadeiras, casos de Gustavo Gayer (PL), em Goiás, Michelle Bolsonaro (PL), no Distrito Federal, e Caroline de Toni (PL), em Santa Catarina. Os resultados não significam que seguidores se convertam automaticamente em votos, mas mostram como uma audiência digital consolidada pode ampliar visibilidade, mobilização e comunicação direta durante uma campanha.