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Com 7,6 milhões de votos a mais na Câmara, PL reforça caixa partidário

PL alcança 25,8 milhões de votos para deputado, recorde para a Câmara, e amplia peso na divisão dos fundos públicos. Veja a variação de votos de cada legenda e federação.

7/10/2026
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Além de eleger a maior bancada da Câmara em 2026, o PL ampliou em mais de 7 milhões sua votação para deputado federal, resultado que também deve aumentar o peso da legenda na distribuição dos fundos públicos destinados aos partidos.

Levantamento do Congresso em Foco, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o partido passou de 18,2 milhões de votos em 2022 para 25,8 milhões neste ano. O cálculo considera os votos nominais dados a candidatos eleitos e não eleitos e os votos diretamente na legenda. O crescimento foi de cerca de 7,6 milhões de votos, ou 41,9%.

Distribuição dos fundos partidário e eleitoral levam em conta votação para a Câmara.Arte Congresso em Foco

O avanço veio acompanhado de mais cadeiras. O partido elegeu 121 deputados federais e terá quase um quarto das 513 vagas da Câmara a partir de fevereiro de 2027. Esse crescimento tem consequência financeira. A votação para a Câmara e o tamanho das bancadas entram nos critérios usados para distribuir o Fundo Partidário, destinado à manutenção permanente das legendas, e o Fundo Eleitoral, voltado às campanhas.

Os 25,8 milhões de votos recebidos pelos candidados do partido à Câmara também representam a maior votação nacional já registrada por um partido ou federação para a Câmara dos Deputados na série histórica analisada. O recorde anterior era do PMDB em 1986, com cerca de 22,6 milhões de votos. O levantamento considera, em cada eleição, a soma dos votos nominais dados a candidatos eleitos e não eleitos e dos votos de legenda.

Em 2026, antes de o novo resultado das urnas produzir efeito, o PL já recebeu a maior parcela do Fundo Eleitoral: R$ 881,66 milhões. Desse total, R$ 285,58 milhões vieram do critério da votação para a Câmara, R$ 454,95 milhões do tamanho da bancada de deputados, R$ 137,82 milhões da representação no Senado e R$ 3,31 milhões da parcela distribuída igualmente entre as legendas.

No Fundo Partidário, o PL recebeu R$ 192,15 milhões em dotações orçamentárias em 2025, além de recursos provenientes de multas eleitorais. O dinheiro é repassado mensalmente e financia despesas permanentes das legendas, como funcionários, sedes, contas e passagens.

Mais votos, mais peso no Fundo Partidário

Pelas regras atuais, 95% do Fundo Partidário são distribuídos proporcionalmente à votação obtida pelos partidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. Os outros 5% são divididos igualmente entre as legendas com direito ao benefício.

A partir do próximo ciclo, a eleição de 2026 passa a ser a referência para essa divisão. O salto do PL de 18,2 milhões para 25,8 milhões de votos, portanto, tende a elevar sua participação na parcela proporcional do fundo. Isso não significa que a fatia dos recursos crescerá exatamente na mesma proporção da votação bruta. Para a distribuição do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, os votos dados a candidatas mulheres e candidatos negros para a Câmara entre 2022 e 2030 são contados em dobro, uma única vez. Cabe à Justiça Eleitoral definir a distribuição dos recursos públicos entre as legendas.

Eleição também pesa em 2028 e 2030

O desempenho de 2026 terá reflexo também na divisão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Pelas regras atuais, 2% do Fundo Eleitoral são divididos igualmente entre os partidos; 35% conforme a votação para a Câmara; 48% de acordo com o número de deputados federais; e 15% segundo a representação no Senado.

O PL cresceu justamente nos principais critérios proporcionais: ampliou a votação para deputado, elegeu 121 integrantes da Câmara e terá uma bancada maior também no Senado. Por isso, a eleição de 2026 tende a reforçar a posição da legenda na distribuição do Fundo Eleitoral das eleições municipais de 2028 e, mantidas as regras atuais, também das gerais de 2030, quando a maior parte de seus parlamentares buscará a reeleição.

Outros partidos também ampliam votação

O PL teve a maior expansão em números absolutos, mas outras legendas também aumentaram a votação para deputado federal. O Novo passou de cerca de 1,35 milhão para 2,91 milhões de votos, mais que dobrando o desempenho de 2022. O Psol avançou de aproximadamente 3,85 milhões para 5,30 milhões. O PT foi de 13,24 milhões para 14,79 milhões, enquanto o PSD passou de 8,29 milhões para 9,39 milhões e o PSB, de 4,17 milhões para cerca de 5 milhões.

A comparação considera votos nominais de candidatos eleitos e não eleitos e votos de legenda. Nos casos de fusões e incorporações, a base de 2022 foi ajustada para permitir a comparação com a estrutura partidária atual.

União, PDT e outros partidos perdem votos

Outras legendas tiveram redução expressiva. O União Brasil passou de cerca de 10,22 milhões de votos em 2022 para 7,86 milhões em 2026, queda próxima de 2,36 milhões, ou 23%. O PDT caiu de 3,83 milhões para cerca de 1,88 milhão, redução de aproximadamente 51%. O PP recuou de 8,69 milhões para 7,61 milhões, enquanto o PSDB também perdeu votos. O MDB ficou praticamente estável.

Entre os partidos que passaram por reorganizações, o PRD, comparado à soma de PTB e Patriota em 2022, caiu de cerca de 2,95 milhões para 1,19 milhão de votos. O Solidariedade, considerando também a votação do Pros incorporado à legenda, passou de aproximadamente 2,50 milhões para 930 mil. A Rede, que faz parte da federação com o Psol, recuou de cerca de 783 mil para 264 mil votos.

[DATAWRAPPER — Partidos que perderam votos para a Câmara entre 2022 e 2026]

As variações também tendem a alterar a distribuição futura dos fundos, embora a conta oficial use critérios específicos previstos na legislação e não apenas a votação bruta.

Cláusula deixa 12 partidos e duas federações sem acesso regular ao fundo

Para algumas siglas, a consequência é mais severa. A eleição deixou 12 partidos e duas federações abaixo da cláusula de desempenho, regra que condiciona o acesso regular ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita. Como mostrou o Congresso em Foco, ficaram abaixo da cláusula PDT, Agir, Mobiliza, Avante, PSTU, PCB, PRTB, DC, PCO, Democrata, UP e Missão, além das federações Psol/Rede e Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade.

Em 2026, era necessário cumprir um de dois caminhos: obter ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, distribuídos por pelo menos nove unidades da Federação e com mínimo de 1,5% em cada uma delas; ou eleger ao menos 13 deputados federais em nove UFs. A federação Psol/Rede, que não conseguiu superar a cláusula por causa de 185 votos, vai à Justiça contestar.

Quem fica abaixo da cláusula não perde os mandatos conquistados, mas deixa de ter acesso regular ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita, salvo mudança decorrente de retotalização ou reorganização posterior. Os resultados de 2026 ainda podem sofrer ajustes decorrentes de decisões judiciais e retotalizações. Mesmo assim, o sentido da mudança já está claro: o PL saiu das urnas com mais votos, mais deputados e maior presença nos critérios usados para distribuir recursos públicos.

A eleição de 2026, portanto, redesenha ao mesmo tempo a correlação de forças na Câmara e a distribuição dos recursos que sustentarão os partidos e financiarão as campanhas de 2028 e 2030.

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